Patinetes e bicicletas da Yellow deixam de operar no Recife

Veículos chegaram à cidade em 13 de fevereiro e saem de operação em razão de uma reestruturação da empresa após fusão

Patinetes elétricos entraram em operação no Recife em fevereiroPatinetes elétricos entraram em operação no Recife em fevereiro - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Chegou ao fim após pouco mais de cinco meses no Recife a operação das bicicletas compartilhadas sem estação (dockless) e patinetes elétricos da Yellow. A informação foi confirmada à Folha de Pernambuco pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI) da capital pernambucana. 

A suspensão das atividades, segundo a secretaria, se deu em razão de uma reestruturação da empresa após fusão comercial com a Grin, maior empresa de patinetes elétricos da América Latina. A junção entre as plataformas deu origem à holding Grow. Os veículos chegaram à cidade em 13 de fevereiro com atuação no Centro e na Zona Sul em meio a polêmicas sobre regulamentação e acidentes.

Leia também:
Uso de patinetes elétricos alerta para segurança e regulamentação
Carro atropela homem em patinete e foge sem prestar socorro em SP

A empresa comunicou a suspensão das atividades à Prefeitura do Recife na última segunda-feira (29) segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, Guilherme Calheiros. “Ficamos tristes porque sabemos da importância desses modais, principalmente os não motorizados, que ajudem a criar outras formas de se locomover na cidade e diminuir o trânsito”, disse o gestor. Segundo a Yellow, ainda não há previsão de que outras cidades do País deixem de receber o serviço.

Na época do lançamento no Recife, o aluguel das bicicletas custava R$ 1,50 a cada 15 minutos, já o dos patinetes era de R$ 3,00 o desbloqueio mais R$ 0,50 o minuto. Em 5 de julho, no entanto, a Yellow reduziu os preços para tentar otimizar as corridas na cidade, e o uso do patinetes elétricos ficou 50% mais barato. A medida, afirmou a empresa na época, era por tempo indeterminado. Uma portaria da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) do Recife baixada no início de abril havia estabelecido critérios para o licenciamento das operadoras de serviços similares.

Ainda segundo Guilherme, não existe nenhuma conversa formalizada com outras empresas interessadas em oferecer o serviço na capital pernambucana. “Temos conversas com diversas, mas não formalizadas. Por enquanto, são tentativas de entendimento de como a prefeitura pode ajudar”, acrescentou. Não há previsão para o início das operações das bikes e patinetes da Grow no Recife.

Sistema de compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos chega ao Recife

Sistema de compartilhamento de bicicletas e patinetes elétricos chegou ao Recife em fevereiro - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Para o coordenador da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), Daniel Valença, a cidade ainda não oferece estrutura e segurança necessárias para a boa operação desses modais. “O que reflete esse fim é a demonstração de que uma política de estímulo que deveria ser valorizada e melhorada acaba se demonstrando fracassada”, disse.

Para Daniel, o uso da bicicleta ainda é tratado à mercê de uma empresa privada e não de uma política de estado que estimule a bicicleta como modo de transporte. “A condição de uso dos modos de bicicleta e patinete continua a mesma. A gente continua com pouquíssimas ciclovias na cidade, com o Plano Diretor Cicloviário atrasado e sem oferecer segurança para o ciclista”, acrescentou o coordenador da entidade.

Em nota enviada à Folha de Pernambuco, a Yellow informou que, as operações foram encerradas por razões técnicas e operacionais, que "tornaram a atuação da empresa inviável economicamente". "Foi uma decisão dolorosa para todos nós, mas que esperamos reverter no futuro. Nosso agradecimento especial aos colaboradores que estiveram conosco ao longo desse período - para quem, inclusive, estamos buscando recolocação imediata no mercado de trabalho", disse a empresa no texto.

Ainda segundo a empresa, os usuários que tiverem adquirido créditos não utilizados terão os valores estornados via cartão de crédito. Já os pontos de venda e usuários que não possuem cartão devem entrar em contato com o suporte da empresa para que os valores sejam transferidos.

Fusão com a Grin
Em janeiro, a Yellow anunciou fusão comercial com a Grin, maior empresa de patinetes elétricos da América Latina. A junção deu origem à Grow Mobility Inc., que conta com mais de 135 mil patinetes e bikes em 23 cidades de sete países. Até junho, foram contabilizadas 10 milhões de viagens nas duas plataformas. Recentemente, a Grow anunciou que passará a fabricar seus patinetes e bicicletas elétricas na Zona Franca de Manaus, no Amazonas. Para isso, a empresa investirá R$ 25 milhões em uma nova fábrica instalada no local.

 Na Cidade do México, a Grin também deixou de operar por tempo indeterminado desde essa terça-feira (30) após o roubo de seus equipamentos, segundo comunicado publicado pela empresa no Twitter. “Centenas de pessoas farão ajustes para melhorar o serviço, migrarão sistemas, somarão uma nova solução de micromobilidade, mas, sobretudo, desenvolverão esquemas de colaboração com as autoridades para prevenir o roubo dos nossos patinetes”, indicou a empresa no texto.

Esta reportagem foi atualizada às 12h52 de 1º/08/2019 para acréscimo da nota enviada pela Yellow 

Veja também

Amazônia já tem mais queimadas em 2020 do que em todo o ano passado
meio ambiente

Amazônia já tem mais queimadas em 2020 do que em todo o ano passado

Pandemia causa atrasos nas obras de recuperação de Mariana
Mariana

Pandemia causa atrasos nas obras de recuperação de Mariana