PE: animais mutilados vão ganhar próteses feitas em impressora 3D

Articulação da CPRH junto à Receita Federal garantiu equipamento com custo zero

Carcará que teve uma pata amputadaCarcará que teve uma pata amputada - Foto: Divulgação/ Jonathas Brito/ CPRH

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) divulgou, nesta quinta-feira (3), que vai começar a produzir próteses feitas em impressora 3D. Uma articulação da agência junto à Receita Federal garantiu o recebimento do equipamento com custo zero. A ideia é possibilitar mais qualidade de vida a animais mutilados.

A CPRH pediu à superintendência da Receita em Pernambuco a doação de uma impressora 3D, pois o órgão apreende ou retém em ação de combate ao contrabando esse tipo de produto. A Receita consultou outras regionais e, por meio de um Ato de Destinação de Mercadorias (ADM), a unidade de São Paulo destinou uma impressora 3D Dee Green para incorporação/doação à CPRH.

A produção será feita pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), gerido pela CPRH, numa parceria com professores e pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Segundo a agência, o Cetas Tangara é pioneiro no país nesta iniciativa.
Aproximadamente 5% dos animais silvestres que dão entrada no Cetas, muitos deles vítimas do tráfico, chegam mutilados. A maioria são aves, com problemas nas asas, patas, bicos e outros. Nem todos poderão ganhar uma prótese, depende de cada caso.

Atualmente, quatro animais fazem parte da pesquisa realizada pelo Cetas e UFRPE: dois jabutis que tiveram o casco queimado e dois gaviões carcará, um que perdeu a parte inferior do bico e outro que teve uma pata amputada. No caso do jabuti maior, de quase 9 kg, por exemplo, o modelo do design para fabricação da prótese já está sendo finalizado, após as etapas de tomografia computadorizada, fotografias digitais em 360 graus e desenho da peça.

Participam do projeto, junto com a equipe do Cetas, o professor Fabiano Sellos, a professora e pesquisadora Maria Cristina de Oliveira Coelho, do Departamento de Medicina Veterinária (DMV) da UFRPE, e o professor de design Gráfico Rafael Suarez, do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).

"O Cetas Tangara foi inaugurado em dezembro de 2016 e vem se tornando um bom exemplo na atenção, trato e reabilitação de animais silvestres, grande parte vítimas do tráfico. É uma mostra que estamos no caminho certo”, disse o presidente da CPRH, Eduardo Elvino. Segundo a agência, só este ano, no período de janeiro a junho, o Centro acolheu 5.665 animais. No mesmo período, devolveu 3.974 à natureza.

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