Polícia Civil quer teste toxicológico para motorista envolvido em acidente na Tamarineira

Intenção é verificar se condutor do veículo havia ingerido algum tipo de droga ilícita, além de bebidas alcoólicas

Motorista de carro envolvido em acidente na Zona NorteMotorista de carro envolvido em acidente na Zona Norte - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A polícia tenta verificar se João Victor Ribeiro de Oliveira, além de bebida alcoólica e re­­médio ansiolítico, pode ter ingeri­­do alguma outra droga ilícita momentos antes de provocar o aciden­­te que vitimou a família de advogados e a babá dos filhos deles. A informação foi do delegado Ricardo Silveira, responsável inicial do caso, que será conduzido a partir de agora pela Delegacia de Delitos de Trân­­sito, com a titularidade de Paulo Jean.

O jovem, que se declarou dependente químico em depoimen­­to, apresentou documentos de internação em clínicas de reabilitação e disse que fazia uso da medicação Rivotril numa tentativa de justificar o crime. Confirmado até agora é que o condutor do Fusion estava com 1,03 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice três vezes maior que o permitido. Após audiência de custódia, na segunda-feira (27), João Victor seguiu para o Cotel ao ter determinada sua prisão preventiva. Ele deixou o Fórum Rodolfo Aureliano sob vaias e protestos.

“Ele alegou ao juiz isso (dependência química) e vai ter que provar. É matéria de prova dele. Ele vai ter que provar em uma coisa que a gente chama de incidente de insanidade. Ele está com esse interesse por meio de declarações médicas. Sugeri já ao delegado Paulo que ouvisse o psiquiatra que acompanha ele. Isso é, na verdade, uma matéria de defesa dele”, comentou Ricardo Silveira.

Pela manhã, quando havia apenas a informação da morte de Maria Emília e Roseane, Silveira autuou em flagrante o suspeito por duplo homicídio doloso e por três lesões gravíssimas, momentos antes da audiência de custódia. O advogado do sus­­peito chegou a deixar o caso devido à gravidade da situação. A defesa foi assumida por uma defensora pública. “Como ele praticou o crime em do­lo eventual - quando o agente não dirige a sua conduta especificamen­­te para aquele resultado, mas é um resultado previsível e ele o aceita -, então, ele responde pelo resultado”, justificou o delegado. Um motoboy que foi testemunha do acidente narrou que Victor já vinha cometendo imprudências no trânsito desde a avenida Norte. Dirigia em alta velocidade e queimava sinais. Atingiu a Toyota RAV4 a mais de 100 km/h. “A própria testemunha afirma que teve a sensação de que era uma pessoa que estava querendo se matar, porque ele viu o sinal vermelho em um cruzamento bastante movimentado e não teve sequer a preocupação de reduzir a velocidade”, contou Silveira. O delegado ainda destacou que novas penas de homi­­cídio serão somadas no indiciamen­­­­to, como a do menino Mi­­guel e a do feto de Roseane, que tiveram as mortes confirmadas na segunda-feira.

O psiquiatra especialista em dependência química Tiago Queiroz explicou que o Rivotril, possivelmente utilizado pelo suspeito, tem o poder de potencializar os efeitos do álcool. “Isso acontece fazendo com que o indivíduo tenha uma maior alteração do seu estado mental”, comentou. No entanto, o médico alerta que isso não é justificativa para qualquer ato criminoso. “A dependência química, por si, não torna o indivíduo inimputável (que não pode ser responsabilizado criminalmente). A dependência química deve ser levada em conta, mas não isenta a pessoa de responsabilidades legais”, enfatizou.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), Ronnie Duarte, endossou que a dependência não pode ser usada para relaxar qualquer pena do motorista. “No básico do Direito, quem voluntariamente coloca-se num estado de embriaguez ou de entorpecimento, essa alteração transitória e voluntária não modifica em nada a imputabilidade do sujeito”, reafirmou.

Nesta terça-feira (28), a polícia tentará refazer o trajeto do suspeito até o local do acidente. A ideia é mapear por câmeras de segurança e de trânsito que percurso o rapaz fez no domingo.

Entenda o caso
A combinação de bebida, imprudência e alta velocidade é apontada pela polícia como a causa do acidente que deixou uma criança e duas mulheres mortas, entre elas uma grávida, na noite do último domingo (26), na Zona Norte do Recife. A colisão ocorreu às 19h32 no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira.

O Ford Fusion, placa NMN 3336, que era conduzido por João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, trafegava em alta velocidade e ultrapassou um sinal vermelho, atingindo um Toyota RAV4, placa DEZ 9493, onde estava uma família. A mãe, Maria Emília Guimarães, de 39; e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23, que estava grávida, morreram na hora. O filho do casal, Miguel Neto, que faria 4 anos no próximo mês, faleceu no hospital, durante cirurgia para conter uma hemorragia abdominal. Condutor do SUV da família, o pai, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 45 anos, e a filha Marcela, de 5, continuam internados no Hospital Santa Joana.

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