Policiais e bombeiros mantêm assembleia

Militares afirmam que a pauta da categoria não inclui debate sobre deflagração de possível greve

Cerimônia de posse do novo secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, José Neves FilhoCerimônia de posse do novo secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, José Neves Filho - Foto: Daniel tavares

Uma liminar expedida na última quinta-feira (8) pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), no sentido de impedir que associações militares promovam reuniões com o objetivo de deflagrar greve, foi recebida com reservas pelas organizações no comando da campanha salarial da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado. Mas, entre as divergências de interpretação e os questionamentos sobre a legitimidade desses grupos, há uma certeza: mesmo sob ameaça de multas e punições civis, administrativas e penais, a assembleia marcada para as 14h desta sexta-feira (9) está mantida.

Foi o que asseguraram alguns dos principais líderes da campanha salarial da categoria. De acordo com Nadelson Leite, vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS-PE), a reunião vai acontecer e deve ter adesão ainda maior do que as manifestações de anteontem. “Não vamos abrir mão do nosso direito. Hoje o Estado está sem segurança, ninguém tem condições de trabalhar. Não vamos ser escravizados por um Estado que não dá atenção à PM”, declarou.
Representante da Associação de Praças dos Policiais e Bombeiros Militares de Pernambuco (Aspra), José Roberto Vieira entende que a liminar não veta a realização da assembleia. “Não é proibir. A decisão está impedindo que seja desencadeada uma greve. A assembleia está marcada. O governo está se antecipando àquilo que ele não sabe se vai acontecer. A campanha (salarial) está mantida. Se vai haver greve ou não, não depende das associações. Depende de uma decisão da categoria”, explicou.
Essa compreensão também é compartilhada pelo presidente da Associação dos Militares de Pernambuco (AME-PE), Vlademir Assis. “Essa liminar não tem efeito nenhum sobre nossa assembleia, porque na nossa pauta não consta deliberação sobre greve. Não tem como adivinhar o que vai acontecer. O que está na pauta é deliberar sobre a contraproposta do governo”, afirmou.

Ele também acusa o Palácio do Campo das Princesas de romper o canal de diálogo. “Existia uma ponte entre associações e governo e, de repente, ele quebra algo que foi construído ao longo de muito tempo. Ele se preocupa em evitar o pior, mas dá motivo para isso, extinguindo uma mesa de negociação e perseguindo lideranças.”

A acusação foi rejeitada pelo procurador-geral do Estado, César Caúla. Segundo ele, a discussão é sobre a legitimidade dessas associações para participar dessas tratativas. “Não implica em quebra do diálogo, porque jamais houve, da parte do governo, a quebra da disposição para o diálogo que será feito pelo intermédio do comando da PM e do Corpo de Bombeiros. Essa decisão do tribunal é muito importante. O que ela diz é que a associação não pode manter atividade cujo conteúdo seja transgressão da disciplina militar”, disse, referindo-se às restrições de sindicalização da categoria.

“Desobedecer uma ordem judicial acresce gravidade à conduta das lideranças, que já seria de transgressão às disposições militares”, pontuou.

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