Recife Antigo unido contra a violência

Comerciantes do bairro formaram grupo para discutir medidas com poder público e tentar frear a insegurança na ilha

Cristiano Pimentel, procurador do Ministério Público de Contas (MPCO)Cristiano Pimentel, procurador do Ministério Público de Contas (MPCO) - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

 

Comerciantes do Bairro do Recife estão unidos por um propósito: tentar frear a onda de violência que ainda toma conta do polo turístico. Com reuniões mensais e também trocando informações pela internet em tempo real, o grupo discute, com a participação do poder público, medidas para sanar os frequentes assaltos e confusões generalizadas que se repetem nas ruas do bairro.

A aposta, agora, é de tentar parcerias junto ao Ministério Público de Pernambuco, reduzindo a presença de menores. Com o aumento dos frequentadores, o problema já conhecido nos fins de semana se repete nos feriados. Neste último, alguns estabelecimentos chegaram a fechar as portas mais cedo. Para a população resta o medo, que logo se transforma em prejuízos.

As promessas para o retorno do “clima de paz” na região já incluíram o aumento do efetivo policial, emprego da cavalaria e, até, o controle do acesso de pedestres. Sem êxito, vale ressaltar. A situação até dá sinais de melhora, mas logo volta a preocupar.

"Estamos trabalhando juntos há cinco meses e conseguimos perceber um discreto avanço. As pessoas voltaram a frequentar, mas ainda se sentem acuadas quando encontram grandes aglomerações”, afirma a gerente-geral dos Armazéns do Porto, Marina Aguiar. “Assistimos a adolescentes consumindo álcool e drogas livremente e também promovendo brigas entre grupos rivais. É preciso mudar esse quadro”, acrescenta.

Funcionando no local há dois anos, o centro de gastronomia, com cerca de dez restaurantes, teve que direcionar investimentos para tentar melhorar a segurança. “Pagamos R$ 80 mil do próprio bolso para erguer um posto policial ao lado das nossas operações. Além disso, ampliamos o número de vigilância privada e o monitoramento por câmeras. Se não atuarmos em conjunto, não conseguiremos mais trabalhar”, disse. 

Os relatos também se estendem pelas principais vias, a exemplo das ruas da Guia e do Bom Jesus, assim como a praça do Arsenal e avenidas Marquês de Olinda e Rio Branco.

“O medo de investidas acaba afastando os clientes e as contas no fim do mês não esperam para serem quitadas”, ressalta o empresário Paulo Lucas.

O secretário de Segurança Urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, reconhece que é preciso fazer mais. “Ampliamos o efetivo da Guarda Municipal e passamos a tratar do assunto em conjunto, passando pela carência de iluminação e também o controle urbano.

No entanto, ainda precisamos de uma política para tratar diretamente com os jovens, envolvendo Conselho Tutelar e Ministério Público”, pondera, assegurando uma reunião com os órgãos. De acordo com 16º Batalhão da PM, é empregado patrulhamento em motos, segway (equipamentos motorizados), além de dois postos de policiamento ostensivo, um permanente localizado no Marco Zero e outro na rua da Moeda, ativado de sexta ao domingo. Quanto ao reforço a pé, a corporação diz que é variável, conforme o evento e a demanda do público esperado.

Circulando pelo bairro com frequência, o estudante Adriel Oliveira, 22 anos, também não disfarça o temor. “Já vi crianças no meio da confusão e pessoas esperando a poeira baixar para ir embora”, relembra. A telefonista Zuleide Melo, 35, também já foi vítima. “Em poucos minutos se formou um arrastão e roubaram o meu celular na parada de ônibus".

Para o empresário Tito Lívio, dono de dois estabelecimentos, a situação aflige. “É preciso tratar da requalificação do bairro como todo. A polícia até tenta fazer sua parte, mas esbarra em um problema social. Existe uma morosidade em encontrar soluções e o cidadão de bem acaba ficando refém”, lamenta.

 

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