Recife é a quarta cidade do País com mais espaços reservados ao transporte público, diz pesquisa

Com 114,33 quilômetros de corredores e faixas exclusivas de ônibus e BRT, Capital pernambucana ficou em primeiro lugar no Nordeste em levantamento da NTU.

Avenida Guararapes, no Centro do Recife, é uma das vias com espaço exclusivo para ônibus e BRTAvenida Guararapes, no Centro do Recife, é uma das vias com espaço exclusivo para ônibus e BRT - Foto: Lidiane Mota/Folha de Pernambuco

Iniciativa adotada em algumas das grandes metrópoles do mundo, como Londres e Madri, a priorização do transporte público combinada à restrição da circulação de carros em áreas centrais é uma política que, segundo estudiosos, ajuda a reduzir os engarrafamentos e melhorar a mobilidade. Diante dessa tendência, um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) publicado este mês coloca o Recife como a quarta cidade do País e a primeira do Nordeste com mais espaços reservados ao tráfego exclusivo de ônibus e Bus Rapid Transport (BRT).

De acordo com o documento “Empreendimentos de Priorização do Transporte Público”, a Capital pernambucana tem 114,33 quilômetros de locais de uso exclusivo desses dois tipos de transporte coletivo, ficando atrás apenas de São Paulo (595,3 km), Rio de Janeiro (165,4 km) e Curitiba (129,15 km). Já quando se analisa a distribuição dessa quilometragem por cada 100 mil passageiros transportados por dia, a Cidade passa para a décima colocação no País, com 10,65 km, um pouco abaixo de São Paulo e de outras capitais nordestinas como Aracaju, Fortaleza, João Pessoa e Maceió. Em primeiro lugar, ficou Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo. Os dados são separados por município, sem considerar a soma nas Regiões Metropolitanas.

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Do total de 114,33 km com prioridade para o transporte coletivo no Recife, a maior parte, 40%, fazem parte do Sistema Via Livre do BRT, enquanto os 35% são faixas exclusivas e cerca de 25% correspondem a corredores para ônibus convencionais. A pesquisa tomou como base dados oficiais a partir de projetos financiados pelo Governo Federal desde a criação do antigo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que também teve um segmento voltado para investimentos na área de mobilidade.

De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, a distribuição desses recursos se deu de forma desigual pelo País, principalmente para a implantação do BRT, que tem um custo maior. “Foram disponibilizados [pelo PAC] R$ 150 bilhões apenas para financiar as obras. Os projetos de BRT vão atuar nas áreas de maior demanda, nas grandes avenidas, e normalmente exigem desapropriações, mas muitos municípios não tinham dinheiro para isso e não tomaram esses recursos”, explica. A exemplo do próprio Recife, a maior parte desses projetos, que se concentrou nas capitais, foi impulsionada pelos investimentos para a Copa do Mundo de 2014.

Para o professor Oswaldo Lima Neto, doutor em Planejamento de Transportes Urbanos, apesar dos avanços, é preciso investir na infraestrutura de alguns pontos da Região Metropolitana para garantir o pleno funcionamento dos modais. “O BRT é um sistema que só funciona quando tem total liberdade de operar num corredor exclusivo direto. Aqui, o BRT, em Camaragibe, entra misturado com os carros e, no Corredor Norte/Sul, ele vem bem de Igarassu, mas, quando chega à Cruz Cabugá, perde a prioridade. E as Faixas Azuis têm que ter uma fiscalização muito forte”, defende.

Ganho de velocidade é de 40%, diz CTTU
A presidente da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), Taciana Ferreira, diz que, nas vias contempladas com as faixas segregadas, a velocidade dos ônibus cresce, em média, de 35% a 40%. Entre os investimentos previstos para os próximos meses, está a Faixa Azul da Agamenon Magalhães, que deve ser entregue ainda no primeiro semestre de 2020, além de corredores e trechos restritos para ônibus no projeto de requalificação da Conde da Boa Vista.

“Na Agamenon, fizemos o estudo. Na Boa Vista, o BRT vai circular no meio da via e as linhas convencionais à direita. E vamos permitir que o carro ande apenas em uma parte da avenida para que transite mais pelas paralelas”, detalha.

Os usuários sentem a diferença. “É bem diferente. Um lugar que não é exclusivo, todo mundo usa”, comenta a aposentada Adilanete Gomes, 55 anos, que mora em Afogados e costuma andar de ônibus para ir ao Centro. “Quando a gente vem pela Abdias de Carvalho, tem um desconforto. Mas, a partir do Derby, é mais rápido”, conta. A secretária Eliane Nascimento, 40, que usa o BRT toda semana, vive a mesma situação. “Na Caxangá, flui rápido. Mas, na Madalena, no Internacional, demora bastante. Às vezes só dali até o Derby você gasta 20 minutos”, relata.

Segundo Taciana Ferreira, trechos como o da rua Benfica, citado por Eliane, precisam de obras estruturais para que o tráfego seja segregado. “Ali nós temos um problema de limite de capacidade. A gente conseguiu levar a faixa de BRT até o cruzamento com a rua Demócrito de Souza Filho, mas, a partir disso, é preciso alguma obra física de recuo para que tivéssemos espaço para o BRT e as linhas convencionais”, afirma.

Já a implantação de mais faixas esbarra na demanda de cada via. “A partir de 60 ou 70 ônibus por hora é que se considera uma via com indicativo para faixa exclusiva”, afirma a presidente da CTTU. Segundo o órgão, hoje a Cidade tem 58 km de Faixa Azul em nove vias. Quando o projeto foi inaugurado, em 2013, a meta era implantar, até 2014, 60 km em doze vias, incluindo avenidas como Beberibe, Estrada de Água Fria e Abdias de Carvalho, que não contam com o espaço seletivo.

Cinco cidades com mais quilômetros de priorização de ônibus:

São Paulo - 595,3 km
Rio de Janeiro - 165,4 km
Curitiba - 129,5 km
Recife - 114,33 km
Fortaleza - 113,9 km

Dez cidades com mais quilômetros por cada 100 mil passageiros por dia:

Mogi das Cruzes (SP) - 105 km
Aracaju - 37,24 km
Curitiba - 20,56 km
Fortaleza - 17 km
Natal - 15,12 km
João Pessoa - 14,8 km
Goiânia - 14,54 km
Maceió - 14,14 km
São Paulo - 13,25 km
Recife - 10,65 km

Fonte: Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU)

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