Recife terá Enem digital em 2020

Novo modelo de aplicação da prova será utilizado pela primeira vez em 15 capitais do País. Versão impressa deve acabar em 2026

Estudantes se preparam para fazer o EnemEstudantes se preparam para fazer o Enem - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A partir de 2020, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá aplicação digital. A implantação da prova digitalizada, anunciada ontem pelo Ministério da Educação, em Brasília, será progressiva, mas nada muda para os participantes inscritos em 2019. No primeiro ano da novidade, a aplicação ocorrerá em modelo piloto e o Recife será uma das 15 capitais do Brasil a participar do projeto. A previsão do Governo Federal é abandonar por completo as versões impressas da prova em 2026.

No primeiro ano de teste, o modelo digital será opcional e aplicado para 50 mil pessoas. Os participantes poderão escolher, no ato de inscrição, pelo modelo digital ou pela tradicional prova em papel. Com essa nova versão, que será feita em computador, o MEC pretende realizar o exame em várias datas ao longo do ano, por agendamento. A aplicação permanecerá em dois domingos, já marcadas para os dias 11 e 18 de outubro do próximo ano, e os resultados serão divulgados de forma conjunta. Outra vantagem, apontada pelo MEC, é a rapidez na correção.

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Do ponto de vista técnico, a expectativa do MEC é que o Enem Digital permita a utilização de novos tipos de questões com vídeos, infográficos e até a lógica dos games. Também espera-se poder aplicar o exame em mais cidades. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2020, haverá três aplicações do Enem: o digital, a regular em papel e a reaplicação, que será em papel. Este último caso é voltado para candidatos prejudicados por algum problema logístico ou de infraestrutura durante a realização da prova digital.

A notícia foi recebida com surpresa e receio por profissionais de educação e estudantes. Para o professor e coordenador pedagógico do Colégio Dom, de Olinda, Genildo Junior, entre as dúvidas estão se haverá suporte técnico para atender todos os participantes e se o preço da prova irá aumentar. "Será que esse valor vai permanecer o mesmo, pois sabemos que o investimento vai ser grande para poder alcançar a digitalização em todo o País. Além disso, meu medo é banalizar o Enem. O assunto tem que ser mais debatido", avalia.

Cursando o terceiro ano do ensino médio, Maria Carolina Oliveira, de 17 anos, aprova a mudança do exame, mas questiona até que ponto a interatividade com vídeos, infográficos e outros recursos digitais vai distrair o aluno. "Acho o Enem muito bem feito atualmente. O que complica um pouco é a quantidade de questões. Se a gente tivesse a oportunidade de desfrutar mais a prova seria bem mais interessante. O Enem Digital não pode ser simplesmente uma cópia do que já é feito hoje", pondera.

Estudando para concorrer a uma vaga no curso de Medicina, Júlia Santos, de 16 anos, acredita que a segurança é uma das principais questões a serem analisadas na prova digital. "Fazer o exame em casa não seria viável, pois a quantidade de fraudes seria imensa. Teria que continuar sendo aplicada em centros de aplicações. Mas sabemos que onde as provas são feitas atualmente não têm as mínimas condições estruturais. Seria uma discrepância muito grande a gente fazer a prova no computador em um colégio que não tem nem ventilador", compara.

O secretário de Educação e Esportes de Pernambuco, Fred Amâncio, lembra que a digitalização do Enem não é uma ideia nova, mas essa é a primeira vez que o exame feito por computador valerá pontos e poderá ser usado para acesso ao ensino superior. "Pode ser uma evolução no nosso processo, mas não é simplesmente fazer uma provinha digital e aplicar. O Enem é muito mais complexo do que isso. Ele é carregado de uma série de requisitos de segurança, tem uma construção bastante complexa que precisa ser melhor e mais debatida", disse.

Sigilo da prova continua, diz ministro
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o presidente Jair Bolsonaro não tiveram acesso ao Enem. Em coletiva de imprensa realizada ontem em Brasília, Weintraub afirmou também que nem o mesmo o presidente do Inep leu o exame. As provas, que serão aplicadas em dois domingos (dias 3 e 10 de novembro), foram enviadas à gráfica para impressão na última sexta-feira (28).

“Salvo uma coisa totalmente fora do script, não consigo imaginar por que o presidente, que está com agenda tão atribulada, vai parar para ler a prova. Não leu e não lerá. Nem eu, nem Alexandre, presidente do Inep. Estamos seguindo o procedimento padrão”, disse o ministro.

Logo após as eleições de 2018, Jair Bolsonaro criticou o Enem e disse que a prova deveria cobrar conhecimentos úteis. Na edição do ano passado da prova, uma questão que tratava de dialeto usado por gays e travestis desagradou Bolsonaro. Neste ano, o Governo Federal chegou a criar uma comissão para "identificar abordagens controversas com teor ofensivo a segmentos e grupos sociais, símbolos, tradições e costumes nacionais" e, a partir desta análise, decidir as questões que iriam entrar no exame.

Sigiloso, os trabalhos da comissão foram concluídos em abril, mas os resultados não foram divulgados. Pelo cronograma, as provas serão impressas até o dia 17 deste mês. A partir do dia 24, começarão a ser expedidas e armazenadas para serem distribuídas a partir do dia 3 de outubro. De acordo com o Inep, o Enem tem 5,1 milhões de participantes confirmados em todo o País, sendo quase 335 mil apenas em Pernambuco.

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