Reino Unido é abalado por renúncia de Harry e Meghan

Um comunicado oficial afirma que "trata-se de uma questão complicada que precisa de mais tempo para ser definida"

Príncipe Harry e Meghan MarklePríncipe Harry e Meghan Markle - Foto: Michele Spatari / AFP

A renúncia do príncipe Harry e sua esposa Meghan a suas funções reais abalou o Reino Unido, incluindo uma monarquia "ferida" por uma decisão que aparentemente surpreendeu até a rainha Elizabeth.

"É assustador que tenham tomado essa decisão sem consultar a rainha, ou sem mesmo consultar o pai de Harry", disse à AFP o especialista na realeza britânica Richard Fitzwilliams, que considera que o casal foi "rebelde".

O clima de tensão no Palácio de Buckingham se tornou evidente depois que Harry, filho mais novo de Charles - herdeiro do trono -, e Meghan, uma atriz californiana que abriu mão da sua profissão para poder entrar na família real, fizeram o polêmico anúncio de que abririam mão das funções reais e buscariam independência financeira.

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Duas horas após o anúncio do casal real, o Palácio emitiu um comunicado oficial afirmando que "trata-se de uma questão complicada que precisa de mais tempo para ser definida". Há tempos a cobertura midiática e as estritas regras das funções reais incomodam Harry, de 35 anos, e Meghan, de 38 anos.

Ainda assim, segundo Victoria Murphy - outra especialista em monarquia - o anúncio do casal "decepcionou a família real britânica". Isso porque, apesar da monarquia ser "um negócio, é também uma família", e decisões como essa "são pessoais e profissionais", explica Murphy.

A comoção em torno da decisão do casal real foi tanta que deixou em segundo plano, após três anos de caos, a histórica votação do Brexit pelo Parlamento britânico. A discussão sobre o "Megxit", no entanto, só aumentou em todo o Reino Unido.

Bonecos de cera, apostas e Netflix
Fiéis ao seu senso de humor e a sua paixão pelas apostas, os britânicos não perderam tempo em começar a especular o que acontecerá na família real após o comunicado de Harry e Meghan.

Entre as opções mais votadas nas casas de aposta, estão: o anúncio de uma nova gravidez ainda este ano, a mudança definitiva de residência do casal para os Estados Unidos e a volta de Meghan às telinhas.

Alguns arriscam até mesmo que a atriz interprete a si mesma na próxima temporada de "The Crown", uma produção da Netflix, ainda que a produtora executiva da série tenha afirmado à agência de notícias britânica AP que dificilmente a saga chegaria ao tempo presente.

O famoso museu de cera de Londres, o Madame Tussauds, também não perdeu tempo - imediatamente separou os bonecos do duque e da duquesa de Sussex das demais figuras da realeza britânica, como a rainha Elizabeth II.

Independência financeira
Na imprensa, alguns veículos compararam essa decisão com a abdicação do rei Edward VIII - tio da rainha em exercício - em 1936. Na época, ele abriu mão do trono para se casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada, assim como Meghan.

Além disso, os jornais consideram a proposta de independência financeira do casal como uma decisão hipócrita. O dote real do qual abririam mão equivaleria a cerca de 5% dos seus gastos oficiais, já que o restante é financiado pela renda privada do Príncipe Charles.

O duque e a duquesa de Sussex, que desejam passar o tempo entre o Reino Unido e a América do Norte, ainda assim pretendem manter a residência em Frogmore Cottage, uma casa construída nos terrenos de Windsor, cuja reforma custou $ 2,4 milhões (cerca de R$ 12,8 milhões) aos cofres públicos. Harry e Meghan continuariam integrando também o sistema de segurança social britânico.

Em nenhum momento o casal informou ter interesse em renunciar aos seus títulos de nobreza, ainda que o seu anúncio lhes permitiria ganhar dinheiro com suas atividades, aproveitando sua relevância midiática e social.

Harry, que na infância era considerado o membro mais problemático da realeza britânica, sofre até hoje a perda da mãe, a princesa Diana, falecida em 1997, em Paris, em um acidente de carro. 

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