Reino Unido expulsa 23 diplomatas russos após envenenamento de ex-espião

Nenhum representante da família real britânica e nem dignatários deste país irão à Copa do Mundo de Futebol da Rússia

Primeira ministra britânica Theresa MayPrimeira ministra britânica Theresa May - Foto: Daniel Leal-Olivas / AFP

O Reino Unido expulsará 23 diplomatas russos, por considerar que Moscou desprezou a gravidade do envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia por um agente nervoso de fabricação russa, anunciou nesta quarta-feira (14) a primeira-ministra, Theresa May. A informação é da agência EFE.

Em uma declaração perante o Parlamento, a chefe do Executivo britânico considerou que a Rússia reagiu "com um completo desprezo" perante a "gravidade" do incidente ocorrido no último dia 4 e ofereceu ao país uma "oportunidade" para proporcionar uma explicação.

A dirigente conservadora disse que o número de diplomatas expulsos, que foram identificados como "agentes dos serviços secretos encobertos", é "o maior em 30 anos" e que eles terão com uma semana para deixar este país.

Leia também:
Rússia reitera não ter relação com caso Skripal e rejeita ultimato
Polícia britânica examina casa de ex-espião russo envenenado


Segundo ressaltou, o Kremlin reagiu "com sarcasmo, menosprezo e resistência" perante o ocorrido e sua resposta "demonstrou um completo desprezo pela gravidade destes eventos".

A Rússia não proporcionou um argumento "crível" e nem deixou claro, como pediu Londres, "por que conta com um programa de armamento químico transgredindo a legislação internacional".

O incidente em Salisbury representa "um uso ilegal da força por parte do Estado russo contra o Reino Unido", segundo May, que anunciou que seu governo aumentará o controle de cidadãos russos.

Além disso, anunciou que Londres congelará "os ativos do Estado russo onde existir evidência de que poderiam ser empregados para ameaçar a vida ou propriedade de cidadãos ou residentes no Reino Unido".

May pediu também ao Conselho Nacional de Segurança, em um encontro realizado nesta manhã, que tome "medidas imediatas para desmantelar a rede de espionagem russa no Reino Unido" e cancelou o convite feito ao ministro de Relações Exteriores russo, Serguey Lavrov, a este país.

Como parte das medidas adotadas pelo seu Executivo, nenhum representante da família real britânica e nem dignatários deste país irão este verão à Copa do Mundo de Futebol da Rússia.

O anúncio da primeira-ministra ocorre depois que Moscou ignorou o prazo limite fixado pelo Executivo de Londres para que desse explicações, antes da meia-noite de ontem (13), de como um agente nervoso militar de fabricação russa envenenou o ex-agente, de 66 anos, e sua filha, de 33, que seguem em "estado crítico".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que seu país não tem relação com o envenenamento do ex-espião e sua filha, e que considera inaceitáveis as acusações sem provas. Centenas de agentes e militares seguem trabalhando em Salisbury a fim de investigar os fatos e identificar os responsáveis do ataque.

Pelo menos 36 pessoas, além do ex-agente e de sua filha, foram atendidas até agora por serviços médicos por possível exposição ao agente nervoso, todos eles sem sintomas aparentes, exceto o policial Nick Bailey, que continua em estado grave, embora seu estado tenha melhorado nas últimas horas.

Veja também

Dezesseis dias após resultado, Trump autoriza transição de governo
EUA

Dezesseis dias após resultado, Trump autoriza transição de governo

Foragido da justiça italiana é preso em Pernambuco
Justiça

Foragido da justiça italiana é preso em Pernambuco