Relação com os pets promove bem-estar

Animais em casa, segundo especialistas, ajudam na cura, na produção de hormônios da felicidade e na prevenção de doenças

Terapeuta ocupacional Cássia Leôncio na companhia de seus cães Terapeuta ocupacional Cássia Leôncio na companhia de seus cães  - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Quem vive com um animal em casa já deve ter sentido “uma sensação de afago na alma” em sua companhia. É assim que o zooterapeuta Bruno Farias descreve o efeito que a simples convivência com um bicho pode trazer. Essa sensação inclui noções de segurança, felicidade calma e bem-estar, além de aumentar os níveis de serotonina, ocitocina e diminuir adrenalina e cortisol no organismo. “Só a evocação de uma memória do animal de estimação já é o suficiente para fazer alguém se sentir melhor”, explica.



É algo que a ciência comprova, mas não precisa, de acordo com ele. “A gente sente na prática. Eu não preciso de conhecimento teórico para saber que me faz bem. Quando um animal entra na vida, ele muda tudo.” No caso da terapeuta ocupacional Cássia Leôncio, companheira do Golden Retriever Max, a mudança veio após ela ter sofrido uma necrose na cabeça do fêmur causada pela lúpus. Depois da dolorosa cirurgia pela qual Cássia passou, Max mudou completamente a maneira que se portava e participava da vida de Cássia. “Ele parou de pular em cima de mim e, na hora de brincar, trazia a bolinha porque sabia que eu não poderia ir buscar. Se ele já era ligado a mim, agora é muito mais.”

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Max é um dos cinco cães da casa. Embora tenha muito amor por todos, com ele a conexão é diferente. “Ele tem uma percepção muito grande das coisas e é algo que nunca foi ensinado. Nem todo cão é assim, ele foi escolhido e é muito especial.” Por conta da doença, Cássia também desenvolveu episódios depressivos e, mais uma vez, Max foi seu suporte emocional. “Ele me força a fazer coisas que normalmente eu não faria. Quando percebia que eu estava angustiada, chegava perto, botava a cabecinha no meu colo. Eu até interagia mais quando saia para passear com ele porque, como ele é muito bonito, as pessoas paravam para falar.”

Max é tão bom no que faz que Cássia pensou que, se ajudava ela, poderia ajudar outras pessoas. Assim nasceu o projeto Bolinhas de Pêlo, que começou só com os dois e hoje atende mais de 100 estudantes em oito escolas de Olinda, unindo seis voluntários que acreditam no poder do bem-estar que a companhia animal traz.

Segundo Bruno Farias, os animais têm um poder intrínseco de promover emoções positivas, funcionando como um reforço positivo para o ser humano e fazendo com que se exercitem mais, por exemplo. “Se uma pessoa levanta da cama e, a partir disso, encontra seu bicho, é um reforçador positivo. A partir de agora, ela associa sair da cama a encontrar o animal e passa menos tempo deitado, ou sai para caminhar com mais frequência.” O zooterapeura explica que, independentemente de espécie, é importante estabelecer um vínculo saudável, criado a partir de relações de cuidado e respeito com os animais para que seja um benefício mútuo.

Para alguns mais introspectivos, ele revela que os gatos podem trazer uma companhia na energia certa. É o caso do fotógrafo Rafael Lira, que foi presenteado pelo acaso com dois gatos amarelos e um maior senso de responsabilidade. Cheddar e Cuscuz viraram companhias para dias bons e ruins. E engana-se quem acredita que gatos não demonstram afeto. “Eles têm uma sensibilidade de quando eu não estou bem, seja algo mais leve ou mais pesado. Estando amuado, mais quieto, eles vêm para perto ou deitam em cima de mim.

Rafael mora sozinho há 5 anos e, nesse tempo, passou a maior parte do tempo só. Por muitas vezes, a solidão foi difícil de administrar, ele diz. “Bate todo tipo de sentimento, mas tendo os gatos em casa alivia muito. Eu chego em casa cansado e quando vêm os dois deitar comigo, é como se tudo valesse a pena, porque você se sente amado.”

De acordo com a terapeuta ocupacional e zooterapeuta Liz Matos, esposa de Bruno, pessoas que fazem terapia com animais podem sentir o bem-estar quando passam um dia com eles, mas quem tem um em casa usufrui do benefício constantemente. “Está lá acontecendo naturalmente e as pessoas nem se dão conta que estão sendo assistidas”, explica. Ela afirma que adotar um bicho pode trazer grandes transformações, mas crescer na companhia de um não só beneficia a saúde, como previne contra alergias e transtornos psicológicos, além de estimular questões motoras e cognitivas em crianças.

Rafael convive com bichos desde pequeno, mas agora ele diz que é diferente: “Sendo meus gatos, com responsabilidade 100% minha, o sentimento é muito mais forte. Seu esforço reflete no bem-estar de alguém e isso conta muito para a saúde mental.”

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