Sem dinheiro, clima é de guerra no Rio

Com bombas na rua, Assembleia do Rio limita salário de secretários no início da votação do pacote anticrise do Governo Pezão

Em Boa Viagem, manifestantes se reuniram numa manifestação tímida.Em Boa Viagem, manifestantes se reuniram numa manifestação tímida. - Foto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

 

Enquanto do lado de fora da Assembleia Legislativa ocorria um dos mais longos confrontos já vistos no Rio de Janeiro, os deputados estaduais aprovaram na última terça-feira (6) os primeiros projetos do pacote anticrise do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB). Enquanto as bombas estouravam lá fora, os deputados aprovaram duas resoluções da própria Alerj - a não renovação da frota de veículos dos parlamentares, que ficarão sem carros a partir de 2019, e o fim de sessões solenes na Casa após o expediente.

Pezão, no entanto, sofreu uma derrota, com a aprovação de um teto para os salários dos secretários estaduais, apesar do esforço da base para vetar a medida. O conflito, entre servidores do Estado e PMs, começou às 13h15 (horário de Brasília), quando integrantes do carro de som instaram os manifestantes a tomar o prédio da Alerj, onde deputados haviam marcado para 14h a votação do pacote de ajuste.

Servidores forçaram as grades instaladas ao redor do prédio. A PM e agentes da Força Nacional responderam com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, além de usar a cavalaria e um “caveirão” (veículo blindado). Ao longo do dia, servidores usaram pedras e fogos de artifício contra a PM, que invadiu uma igreja e de lá atirou bombas nos manifestantes.

O que se viu na sequência foi uma batalha campal em frente à Alerj e nas ruas vizinhas ao prédio. Às 19h, o conflito seguia no Rio. O Centro ficou deserto em plena hora do rush. Não restavam mais servidores em frente à Alerj, mas a PM continuou a lançar bombas nas ruas do centro e empreendeu uma varredura nas ruas internas em busca de possíveis manifestantes.
Bombas foram atiradas na direção de pequenos grupos que ainda se reuniam, atingindo pedestres que deixavam seus escritórios. Dentro do edifício, o cheiro de gás de pimenta levou dois deputados, Tia Ju (PRB) e Pedro Fernandes (PMDB), e vários servidores ao departamento médico. No plenário, algumas pessoas optaram por usar máscaras cirúrgicas para reduzir os efeitos.
Redução
Na votação do pacote proposto pelo governador, a principal medida previa o corte de 30% dos salários do alto escalão do governo. A Comissão de Orçamento da Casa incluiu no texto original um artigo aplicando o teto do funcionalismo também para funcionários cedidos por outros órgãos, que normalmente acumulam os salários - o que é o caso de alguns secretários.

Com a aprovação do projeto, o salário do governador será reduzido de R$ 21.868,14 para R$ 15.307,69. Vice-governador e secretários passam a receber R$ 12.895,39, em vez dos R$ 18.421,99 atuais.

 

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