Sindicato das editoras recusa tentativa de acordo proposto pela livraria Saraiva

A recusa vem como uma forma de pressão para que a Saraiva, assim como fez a Cultura, entre com um pedido de recuperação judicial

Noite de autógrafos em evento na livraria SaraivaNoite de autógrafos em evento na livraria Saraiva - Foto: Thaísa Barros/Portal FolhaPE

O Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) recusou o pedido feito pela Saraiva de recuperação extrajudicial -um acordo privado entre devedor e credor.

De acordo com o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, a rede de livrarias propôs converter 45% da dívida em ações e debêntures e que o restante fosse quitado em 120 parcelas, além do pagamento de R$ 15 mil a cada um dos credores, como uma forma de proteger os pequenos fornecedores, já que o valor é pouco significativo para grandes grupos.

A avaliação da Snel é que o pedido de recuperação extrajudicial levaria tempo, o que possivelmente travaria a operação da Saraiva nos próximos meses -que correspondem justamente ao período de maior faturamento das livrarias: Natal e volta às aulas.

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A recusa vem como uma forma de pressão para que a Saraiva, assim como fez a Cultura, entre com um pedido de recuperação judicial.

Com o pedido aprovado, a empresa teria que seguir os acordos firmados com os credores. Caso contrário, se houver atrasos nos pagamentos, qualquer um dos credores pode pedir ao juiz a falência da rede de livrarias.

Procurada, a Saraiva informou que não comenta negociações em andamento. "A companhia ressalta que segue avaliando todas as possibilidades que a permitam manter a saúde e a perenidade de seu negócio, bem como contribuir com a retomada do mercado livreiro como um todo no país", diz o comunicado.

A livraria fechou 20 lojas no fim de outubro. Em comunicado à imprensa, a rede disse que a medida tinha a ver com "desafios econômicos e operacionais do mercado", além de uma mudança na "dinâmica do varejo". A Livraria Cultura, após dois anos com atrasos sucessivos de pagamento a editores, entrou com um pedido de recuperação judicial, também no final de outubro. A empresa havia comprado a operação brasileira da Fnac, mas acabou fechando todas as unidades da marca francesa.

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