Mobilidade

Tarifa do metrô do Recife vai para R$ 2,10 a partir de domingo

Domingo (5), entra em vigor o primeiro reajuste, que passa de R$ 1,60 para R$ 2,10. Até março de 2020, o preço da passagem terá mais cinco aumentos e chegará a R$ 4

[610] Metrô[610] Metrô - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Usuários do transporte público em Pernambuco precisarão adequar suas finanças, pois, neste domingo (5), entra em vigor o primeiro reajuste na tarifa do Metrô do Recife, que passa de R$ 1,60 para R$ 2,10. Até março de 2020, o preço da passagem terá mais cinco aumentos e chegará ao valor de R$ 4. Contudo, os sucessivos reajustes não devem ser revertidos em melhorias para os usuários do sistema. A receita a mais deve apenas ajudar a suprir um déficit já existente nas operações metroviárias.

No Recife, os custos esse ano vão chegar a aproximadamente R$ 541 milhões. Atualmente, o Metrô arrecada cerca de R$ 70 milhões por ano e recebe um subsídio da União de R$ 310 milhões para fechar as contas. Quando a tarifa chegar a R$ 4, estima-se que o sistema passará a arrecadar R$ 140 milhões.

Não bastasse esta conta que não fecha, de acordo com a Companhia, uma dívida do governo do Estado, referente ao transporte dos passageiros que entram no metrô usando o VEM foi judicializada. A Companhia afirma que há aproximadamente dois anos vem ocorrendo paralisações no pagamento. Hoje, a CBTU está com um processo na Justiça cobrando do Grande Recife Consórcio esses valores, que já passam de R$ 100 milhões. Com isto, passageiros se sentem reféns de um modelo de transporte em que a população é a mais prejudicada e ainda paga por um serviço de baixa qualidade. De um total de 40 trens, apenas 27 funcionam. Os 13 estão parados e servem para fornecer peças para os trens que estão em circulação e apresentam defeitos.

Para a estudante Mayara Kimbow, de 18 anos, o aumento na tarifa do metrô é um absurdo. "Vamos pagar caro por um serviço sem qualidade. Constantemente, os trens quebram. Eles funcionam sem ar-condicionado e estão sempre lotados. Uso o sistema todos os dias e são sempre os mesmos problemas", comenta a jovem que mora em Jaboatão e estuda na capital pernambucana. A auxiliar de serviços gerais Márcia Santos, 34 anos, também está insatisfeita com os novos valores. "Não basta pagar caro para andar de ônibus agora o metrô também vem com reajuste. Aumenta conta de luz, os preços dos alimentos. Quem vive com um sálario mínimo tem que fazer malabarismo para dar conta de tantos reajustes. No fim das contas o trabalhador assalariado, que é maioria no Brasil, é quem mais se prejudica", reclama.

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Os maiores custos de manutenção do sistema é em energia elétrica, com R$ 24 milhões, e com segurança, R$ 18 milhões. De acordo com o superintendente da CBTU, Leonardo Villar, é preciso fazer a repactuação da partição tarifária, pois quem acessa o Metrô do Recife por meio dos terminais integrados de ônibus não paga nada à Companhia. "Atualmente, 56% das pessoas que transportamos entram no Metrô por meio dos ônibus, ou seja deixamos de receber dinheiro de mais da metade dos nossos usuários", explica Villar. Ao todo, 400 mil pessoas utilizam o sistema metroviário por dia na Região Metropolitana, em 550 viagens que passam pelas 37 estações.

Em nota, o Grande Recife Consórcio de Transportes disse que o repasse tarifário dos valores do VEM para a CBTU é de responsabilidade do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) que quitou os pagamentos referentes ao ano de 2016. "O valor do repasse referente ao ano de 2019 já foi realizado até o mês de março, pelo Grande Recife à CBTU. O Consórcio reconhece a dívida no valor atualizado de R$ 90,6 milhões. É importante ressaltar que o CTM judicializou o caso para que os pagamentos sejam efetuados pela Urbana-PE", disse o Consórcio em nota. Já o Urbana-PE mandou nota dizendo que efetua o devido cumprimento dos repasses referentes à comercialização dos créditos eletrônicos transporte ao Grande Recife Consórcio de Transporte, desconhecendo qualquer pendência nesse sentido.

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