UFPE comandará programa na Antártica

Feito inédito de uma universidade do Norte/Nordeste tem como objetivo analisar a dinâmica de vórtices e meandros na confluência entre duas correntes oceânicas

Navio Polar Almirante Maximiano embarca rumo à AntárticaNavio Polar Almirante Maximiano embarca rumo à Antártica - Foto: Carlos Lentini/Divulgação

Pela primeira vez uma universidade do Norte/Nordeste do Brasil comandará um projeto do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). O vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, que também é professor do Departamento de Oceanografia da instituição, embarca nesta sexta-feira (1º) para a Antártica, onde irá coordenar as atividades da equipe interdisciplinar do Projeto Mephysto. O vice-coordenador do projeto é o professor Jailson Bittencourt, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O objetivo principal é analisar a dinâmica de vórtices e meandros na confluência entre duas correntes, a Corrente do Brasil e a Corrente das Malvinas.

Serão observados aspectos físicos, químicos e biológicos, como medições de poluentes, temperatura, salinidade, correntes e a de água para análise de plâncton e de microplásticos, entre outros indicadores, dentro e fora dos vórtices. A equipe de dez pesquisadores partirá de Punta Arenas, no sul do Chile, e permanecerá embarcada por aproximadamente três semanas.

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De acordo com o vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, os vórtices terminam se transformando em verdadeiro oásis de biodiversidade dentro do oceano. "Não podemos nunca esquecer que o oceano, do ponto de vista de vida, é mais desértico do que o deserto do Saara. São em pouquíssimas regiões do oceano que se produz a grande quantidade de peixes", comentou. Segundo Araújo, dentro desses vórtices existe uma modificação também da troca de calor entre o oceano e a atmosfera.

Ainda segundo o professor, outro aspecto importante a ser observado durante a viagem é que nessas regiões onde se formam esses vórtices existe uma alteração na troca de gases entre o oceano e a atmosfera. "Estou falando não apenas de oxigênio, mas estou falando também de CO2, que é um gás de efeito estufa. Então, estamos querendo compreender mais e quantificar a influência dessas estruturas, que a gente chama estrutura de mesoescala presente nos oceanos", disse.

O projeto intitulado “Biocomplexidade e Interações Físico-Químico-Biológicas em Múltiplas Escalas no Atlântico Sudoeste” visa assim relacionar padrões de turbulência a determinados espécies de plâncton para elucidar as razões pelas quais a região da Confluência Brasil-Malvinas (CBM) é considerada um “hotspot” de diversidade fitoplanctônica. A iniciativa envolve um esforço conjunto entre 11 instituições, sendo sete nacionais (quatro do Nordeste, uma do Sul e duas do Sudeste) e quatro internacionais (duas americanas, uma japonesa e uma italiana).

Moacyr Araújo explicou que todos os anos pesquisadores do Norte/Nordeste participam, mas sempre associados a outros projetos coordenados por universidades do Sul e Sudeste. Contudo, ele ressalta a importância da UFPE e UFBA estarem desta vez na coordenação. "Acho fundamental porque mostra que existe uma capacidade instalada também científica no Norte e Nordeste do Brasil para trabalhar em regiões que também são diferenciadas", comentou.

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