UFRPE deve apresentar nas próximas semanas investigação sobre assédio de médico

Médico é acusado de assediar estudantes que precisavam de avaliação para passar em educação física. Caso está sendo investigado desde 2018.

Universidade Federal Rural de PernambucoUniversidade Federal Rural de Pernambuco - Foto: Arthur Mota/Arquivo Folha

O processo que investiga administrativamente a conduta de um médico, que é servidor público da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), deve ser concluído nas próximas semanas. Desde 2018 ele é acusado por estudantes de cometer assédio durante consultas que realizava dentro da instituição.

“Vários colegas passaram por isso. Para passar em educação física tinha que ter o exame médico e eu fui perguntar a alguns amigos se era verdade, porque eu não queria fazer, já que tinha ouvido essas histórias sobre ele. Fiz um post no Facebook e muita gente comentou com relatos. Decidi por não fazer o exame justamente pelos comentários sobre o assunto”, explica o estudante do curso de biologia Matheus Victor.

Uma comissão de ética, formada por funcionários de outras instituições de ensino - para evitar que houvesse qualquer tipo de vínculo com o acusado e denunciantes -, passou a ouvir possíveis vítimas, o médico e a analisar os fatos apresentados.

Os relatos feitos nas redes sociais são de que ele perguntava aos pacientes sobre preferências sexuais, assim como tamanho do órgão genital, entre outros questionamentos que não condizem com o procedimento necessário. Por meio de nota, a UFRPE comunicou que a investigação está em fase final de análise do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) referente às denúncias recebidas pela instituição, que tratavam de desconfortos durante procedimentos médicos exigidos para as aulas e Educação Física. O processo corre em sigilo.

A partir do relatório a ser apresentado pela comissão responsável, a UFRPE deve tomar todas as medidas cabíveis no âmbito de suas competências a fim de responsabilizar eventuais práticas de delitos. Caso sejam comprovadas as acusações, o médico terá até dez dias para apresentar uma defesa. “A UFRPE reitera seu compromisso com a integridade de seu corpo discente e demais segmentos da comunidade universitária. A instituição disponibiliza sua Ouvidoria para o registro das eventuais de denúncias ou reclamações referentes a este caso. As demandas podem ser feitas por meio da página www.ouvidoria.ufrpe.br, na aba ‘Formulário de Manifestações’, com a garantia do sigilo quanto à identidade e às informações registradas”, informou a nota enviada pela instituição.

Leia também:
OAB lança campanha contra o assédio
Tecnologia combate assédio em aplicativo de transporte


“A UFRPE também recomenda, às pessoas que se sentiram vítimas de constrangimentos que ferem a legislação brasileira e cujos encaminhamentos estão fora das competências da Universidade, que busquem os órgãos competentes para que as denúncias sejam apuradas pelas autoridades", continuou. A Polícia Civil de Pernambuco orientou que as pessoas procurem as delegacias mais próximas para o registro do Boletim de Ocorrência (B.O.). Sobre esse caso especificamente, as denúncias devem ser registradas na Delegacia da Macaxeira, que atende a área da UFRPE. Até o momento, não foram localizados boletins sobre o caso.

Veja também

Barroso manda governo proteger três terras indígenas da Covid-19 e diz que "situação é gravíssima"
Coronavírus

Barroso manda governo proteger três terras indígenas da Covid-19 e diz que "situação é gravíssima"

OAB define que metade dos cargos de direção da ordem deverá ser ocupada por mulheres
Equidade

OAB define que metade dos cargos de direção da ordem deverá ser ocupada por mulheres