Acaba o prazo dado para o ex-presidente Lula se entregar à PF

Lula tinha até as 17h para se entregar à Justiça

Ex-presidente Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Ex-presidente Lula, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC  - Foto: Nelson Antoine

Acabou, às 17h desta sexta-feira, o prazo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregar à Polícia Federal (PF) depois de expedida, nessa quinta, a ordem de prisão dada pelo juiz Sérgio Moro. 


Petista continua na sede do sindicato, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista (SP) - Crédito: Reprodução/ Facebook Sindicato dos Metalúrgicos. A Polícia Federal foi avisada por interlocutores de Lula que ele está à disposição e não resistirá à prisão. O ex- presidente não pretende, no entanto, sair do sindicato para ir à sede da corporação. Os policiais teriam que buscá-lo. A PF, no entanto, teme pela segurança já que o local está cercado por militantes. As negociações continuam.
Segundo a assessoria de imprensa da 13ª Vara Federal do Paraná, o ex-presidente Lula não pode ser considerado foragido após as 17h e também não terá descumprido ordem judicial se não se apresentar depois deste horário.

No despacho desta quinta (5), o juiz Sergio Moro concedeu "em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17:00" desta sexta.

Petista continua na sede do sindicato, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista (SP)

Petista continua na sede do sindicato, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista (SP) - Crédito: Reprodução/ Facebook Sindicato dos Metalúrgicos


 

Após o horário determinado pela Justiça, segundo a assessoria, cabe a Polícia Federal definir como vai prender. A PF já tem em mãos o mandado de prisão. Militantes reunidos no sindicato fizeram contagem regressiva para às 17h. Assim que o prazo chegou, estourou o coro de "não tem arrego".

No carro, movimentos sociais e políticos continuam declarando apoio a Lula e acenderam sinalizadores vermelhos no carro. "Todos aqueles que veem uma injustiça tem que se indignar", disse o deputado Ivan Valente, citando Che Guevara. Em nome do Psol, afirmou que aqueles que não querem a prisão de Lula são lutadores e que todos sabem que as decisões do judiciário privilegiam criminalizar os movimentos sociais e a esquerda.

Apoiadores do petista estão acampados no sindicato desde a quinta-feira (05)

Apoiadores do petista estão acampados no sindicato desde a quinta-feira (05) - Crédito: Reprodução/Internet

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Entenda o caso:
Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia foram denunciados pelo Ministério Público Federal, por serem supostamente os verdadeiros donos de um triplex no Guarujá. De acordo com a denúncia, as reformas feitas no imóvel pela construtora OAS eram parte de pagamento de propina da empreiteira, que teria sido favorecida em contratos com a Petrobras.

O imóvel teria sido reservado para o ex-presidente, mesmo sem ter havido transferência formal, o que configura tentativa de ocultar o patrimônio (ou lavagem de dinheiro). O valor dos recursos citados chegaria a R$ 2,2 milhões.

Em 12 de julho de 2017, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão. Com a condenação, a defesa apelou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, segunda instância da Justiça, para reverter a decisão de Moro, juiz de primeira instância.

A condenação em segunda instância aumentou o período de reclusão para 12 anos e 1 mês, no dia 24 de janeiro de 2018, em uma sessão que durou mais de oito horas.
No dia 4 de abril, com o placar final de 6 a 5, os ministros do Supremo Tribunal federal (STF) negaram o pedido de habeas corpus solicitado pela defesa de Lula na tentava de impedir a execução provisória da pena imposta a partir da confirmação de sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Os advogados do ex-presidente sempre negaram as acusações, sustentaram que o julgamento foi “político” e que houve cerceamento da defesa. No dia seguinte (5 de abril), menos de 18 horas depois, o juiz Sérgio Moro recebeu um ofício do Tribunal Regional Federal da 4ª Região informando que já não havia obstáculos legais para o início do cumprimento da pena do petista e emitiu a ordem de prisão em seguida.

 

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