Almoço para amenizar tensão no PSB

Motivo principal do encontro é diminuir estresse entre as várias alas do PSB: em especial, as que apoiam Lula e as que preferem Alckmin

Márcio FrançaMárcio França - Foto: Arquivo

Um almoço cujo prato principal é a tentativa de amenizar a tensão no relacionamento entre o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), e os socialistas simpáticos a Lula. Vinte e cinco deputados federais são presenças confirmadas no encontro, nesta sexta-feira (23), com França, na vice-governadoria, na capital paulista. O prédio fica ao lado do Palácio dos Bandeirantes e comenta-se que não seria surpresa se o governador Geraldo Alckmin (PSDB) passasse na conversa para fazer um "registro".

De Pernambuco, cujas tratativas com o PT andam avançadas, participarão os deputados federais Tadeu Alencar, Danilo Cabral, João Fernando Coutinho e Severino Ninho. França é pré-candidato ao Governo Paulista e assumirá o comando do estado mais rico do país, em abril, com a saída de Alckmin para disputar a Presidência da República.

Embora a cúpula socialista trate de desmentir possíveis ruídos internos, os participantes têm deixado claro que o almoço será apenas para prestigiar a candidatura do correligionário. "O objetivo é fazer uma manifestação de apoio a Márcio, que vai assumir o governo depois. Vamos, exclusivamente, desejar uma boa gestão. Não tem nada a ver com debate nacional", afirmou Danilo Cabral para acrescentar que a reunião estava combinada desde a primeira semana de fevereiro. Dentro do PSB há alas que defendem a candidatura própria, outra o apoio a uma sigla do campo de centro-esquerda e uma menor parcela- que se resume quase à sigla em São Paulo- o apoio a Alckmin.

Na mesma linha que Danilo, Tadeu Alencar lembrou que no primeiro ano de mandato como vice-governador, em 2015, aconteceu um encontro semelhante. "Na época ele não era candidato a nada. Dessa vez vamos ressaltar a importância da sua postulação. Vamos sinalizar apoio ao vice-governador, que é um cargo de poder, de um estado poderoso", acrescentou o parlamentar. Ele admitiu que há uma tensão natural interna, mas que o partido tem várias correntes e que ois debates regionais não se confundem com o nacional.

Enfático, o vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque, disse que não há rusgas na legenda e que ninguém está proibido de falar com ninguém. Questionado sobre o fato de alas do PSB apoiarem aliança com o ex-presidente petista, ele disparou: "E Lula vai poder ser candidato? Nacionalmente, o partido não está sincronizado com os projetos do PT. Pernambuco pode conversar, sem problemas. É uma questão local e regionalmente ninguém está proibido de conversar e negociar palanques e apoios", falou Beto Albuquerque.

Na quinta-feira passada, o governador Paulo Câmara (PSB), acompanhado de Renata Campos, foi a São Paulo se encontrar com Lula, em mais um gesto de que pode selar aliança com o PT no Estado, em torno, também, do apoio à candidatura nacional do petista. França, por sua vez, defende Pernambuco no palanque de Alckmin e o apoio majoritário da sigla ao tucano.

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