Após encontro com Bolsonaro, PR e Solidariedade defendem alterar texto

Com a exceção do PSL, partido do presidente, as demais siglas apresentam resistência em aderir a uma coalizão governista

Presidente Jair BolsonaroPresidente Jair Bolsonaro - Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

A nova ofensiva do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em formar uma base aliada não teve o resultado esperado pelo Palácio do Planalto.

Na saída de encontro com o presidente, PR e Solidariedade anunciaram postura de independência no Legislativo e defenderam mudanças no texto proposto pelo Executivo de reforma da Previdência.

Presidente do Solidariedade, Paulinho da Força disse que a iniciativa em discussão na Câmara dos Deputados é ruim e precisa de alterações.

"A proposta [da reforma da Previdência] está ruim e precisa ser melhorada", afirmou.
Paulinho disse que o partido apresentou pontos do texto enviado pelo governo ao Legislativo que precisam de modificação, na visão do grupo. Ele citou como exemplos o BPC (Benefício pago a idosos carentes) e a aposentadoria dos trabalhadores rurais.

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"Além disso, nós colocamos um assunto que para nós é muito importante: a Previdência nos estados. Nós achamos que essa questão tem que ser tratada em cada estado. Não dá para um governador ficar lá falando mal da reforma e os deputados aqui em Brasília assumindo o ônus da reforma", disse.

Ele afirmou ter proposto a Bolsonaro que seja retirado do texto a reforma dos estados e dos municípios para que essas mudanças fiquem a cargo de governadores e prefeitos.

"Ele (Bolsonaro) disse que essa é uma questão que o Congresso tem que analisar, mas também não colocou óbice a essa proposição que nós colocamos", disse, sobre a reação do presidente sobre a proposta.

O presidente do Solidariedade disse ainda ter levado uma proposta alternativa de idade mínima: de 62 anos para homens e 59 para mulheres. O texto enviado ao Congresso propõe que trabalhadores do sexo masculino se aposentem aos 65 e para as trabalhadoras esse patamar seja de 62 anos. "Com uma transição igual para todo mundo de 30%, não essa confusão que o Paulo Guedes inventou de dez fórmulas de transição. A gente faria 30% a mais do tempo de se aposentar para todos. Ele disse que essa discussão tem que ser travada lá na comissão", afirmou.

Em uma linha semelhante a de Paulinho, o presidente de honra do PR, Alfredo Nascimento, disse que o partido defende que as mudanças nas aposentadorias sejam mais brandas com categorias como dos professores e dos trabalhadores rurais.

"O partido é favorável à reforma previdenciária, com alguns ajustes naturalmente. Não abrimos mão de defender os professores e temos de mexer também com o trabalhador rural", disse.

Ele disse que o PR não faz parte da base aliada da atual gestão, adotará postura de independência e não fechará questão em torno da reforma previdenciária, apesar de ser favorável à mudanças no regime de aposentadorias.

"Nós não somos da base do governo e o partido não vai fechar questão em relação à reforma previdenciária e em relação a nenhuma outra reforma. Nós vamos organizar a legenda para que ela vote a favor das mudanças nas aposentadorias", afirmou.

Na quarta-feira (10), Bolsonaro abrirá o gabinete presidencial para o PSL, o Novo, o Avante e o Podemos.

Com a exceção do PSL, partido do presidente, as demais siglas apresentam resistência em aderir a uma coalizão governista.

Há três meses à frente do Palácio do Planalto, o presidente ainda não conseguiu formar uma base aliada, o que já o prejudicou em votações de interesse do governo.

Ele sofreu derrotas, por exemplo, na derrubada de decreto que alterava a Lei de Acesso à Informação e na aprovação da proposta do orçamento impositivo.

A ideia é que, nos encontros com dirigentes partidários, ele ressalte que o Palácio do Planalto está aberto a receber demandas e sugestões das bancadas federais e que abrirá mais espaço na agenda presidencial para as siglas.

Nas reuniões, de acordo com assessores presidenciais, ele pedirá apoio a pautas governistas, como a reforma previdenciária, e deve sinalizar de maneira sutil interesse de que as siglas façam parte da base aliada.

O tom foi o mesmo adotado na semana passada, quando o presidente se reuniu com PSDB, DEM, PRB, MDB, PP e PSD, e não teve resultado favorável.

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