Bolsonaro confunde Alemanha com Amazônia em ato falho

As declarações foram feitas na manhã desta quinta quando o presidente deixava o Palácio da Alvorada, em Brasília

Jair BolsonaroJair Bolsonaro - Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confundiu nesta quinta-feira (26) a Alemanha com a Amazônia ao comentar as queimadas registradas na região e criticar o que considera ser ingerência externa na soberania do Brasil em relação à floresta.

As declarações foram feitas na manhã desta quinta quando o presidente deixava o Palácio da Alvorada, em Brasília. Ao conversar com apoiadores reunidos no local, Bolsonaro lembrou seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira (24).

Ao ressaltar que levou em sua comitiva uma indígena, Ysani Kalapalo, Bolsonaro criticou o que chamou de pouco destaque dado pela mídia à carta assinada por produtores rurais indígenas, lida por Bolsonaro durante o discurso na ONU.

Naquele momento, teve um lapso envolvendo Alemanha e Amazônia. "E um cara me disse lá, imprensa, não sou eu que estou dizendo não, um cara me disse. Assim como as Malvinas está [sic] para Argentina, hoje a Alemanha está para o Brasil. Tire as suas conclusões. Não sou eu que disse isso", disse.

Bolsonaro se referia à disputa entre Argentina e Inglaterra que originou a guerra das Malvinas, de abril a junho de 1982. O presidente insinuou que o que ocorreu com o país vizinho seria o mesmo que a Alemanha está fazendo com o Brasil no que diz respeito à Amazônia.

O presidente também negou ter ofendido França e Alemanha em seu discurso na ONU –na Assembleia Geral, Merkel reagiu ao discurso de Bolsonaro com quatro palmas e um sorriso irônico.

"Eu citei falando que eles têm mais de 50% do território destinado à agricultura, e nós, 8%. São números. Nós temos 61% do território demarcado", afirmou. "A média das queimadas no passado em relação a hoje foram maiores no passado. Nossa queimada hoje em dia está abaixo da média."

Brasil e Alemanha têm entrado em rota de colisão nos últimos meses, com fortes críticas do país europeu à política ambiental brasileira. Bolsonaro e a chanceler Angela Merkel chegaram a conversar no final de agosto sobre a atuação do governo na região, mas as divergências se mantêm por causa do que o presidente considera uma tentativa de violação da soberania brasileira na floresta.

No início da crise ambiental, Bolsonaro chegou a ironizar a decisão do governo alemão ede suspender o envio de recursos para projetos de proteção da floresta amazônica.

"Eu queria até mandar um recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu R$ 80 milhões para a Amazônia. Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, OK? Lá está precisando muito mais do que aqui", disse.

Em julho, Bolsonaro afirmou que a chanceler e o presidente francês, Emmanuel Macron –alvo constante de críticas de Bolsonaro–, não tinham autoridade para discutir a questão ambiental.

Pouco antes, no fim de junho, antes do início da cúpula do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo), Bolsonaro foi criticado por Macron e Merkel, que expressaram preocupação sobre o desmatamento na Amazônia e o risco de o Brasil deixar o Acordo de Paris.

O presidente francês chegou a dizer que não assinaria nenhum pacto com o Brasil caso o país deixasse o acordo que trata do combate a mudanças climáticas.

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