Bolsonaro diz que não vai à posse de Fernández e nega retaliação à Argentina

A vitória da chapa peronista colocou em xeque a relação entre Brasil e Argentina, em especial envolvendo o Mercosul

O presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa no Palácio da AlvoradaO presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa no Palácio da Alvorada - Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira (1º) que não irá à posse de Alberto Fernández, eleito presidente da Argentina no domingo (27), mas negou qualquer retaliação de seu governo ao país vizinho.

"Torci pelo outro (Maurício Macri), né? Já que (Fernández) ganhou, vamos em frente. Não tem qualquer retaliação da minha parte. Da minha parte não tem qualquer retaliação neste sentido, e espero que eles continuem fazendo uma política conosco semelhante ao que o Macri fez até momento", disse ao sair do Palácio da Alvorada.

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Questionado se iria à posse de Fernández, que assume o cargo no dia 10 de dezembro, Bolsonaro inicialmente hesitou, mas depois respondeu de forma contundente: "Não vou", arrancando aplausos de apoiadores que o esperavam na porta da residência oficial da Presidência. O mandatário brasileiro ainda não cumprimentou o kirchnerista, diferentemente de outros líderes da região, como o centro-direitista Sebastián Piñera, do Chile, aliado a Bolsonaro.

O presidente passou a falar de Argentina depois de dizer que a economia brasileira precisa se recuperar. "Olha a Argentina na situação complicada em que se encontra. Nosso irmão do sul. Peço a Deus que dê tudo certo lá."

Durante viagem ao Oriente Médio, Bolsonaro disse que não cumprimentaria o candidato peronista, responsável por derrotar o mandatário atual, Maurício Macri, em primeiro turno. Fernández venceu tendo como sua vice a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner.

"Não pretendo parabenizá-lo. Agora não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual a posição real dele na política. Porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo, e vamos ver qual linha que ele vai adotar", afirmou Bolsonaro na segunda (28).

A vitória da chapa peronista colocou em xeque a relação entre Brasil e Argentina, em especial envolvendo o Mercosul. Em julho, Fernández havia dito que reveria o acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia, caso o pacto representasse desindustrialização para o país.

Nos últimos dias, Bolsonaro descartou a possibilidade de o Brasil sair do Mercosul neste momento, mas criticou o argentino por ele ter manifestado seu apoio ao ex-presidente Lula.

Na terça (29), Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, fez uma provocação a Estanislao Fernández, filho do recém-eleito, ao compartilhar uma postagem que mostrava foto dele, posando com uma arma, e do argentino, que faz cosplay e se veste de drag queen, fantasiado como o protagonista do animê Pokémon.
A mensagem dizia: "Filho do presidente da Argentina/Filho do presidente do Brasil". Eduardo acrescentou: "Obs: Isso não é um meme". Estanislao respondeu: "Irmãos brasileiros, estamos juntos nessa luta. Os amo".

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