Atos a favor da Lava Jato pelo País miram ministros do Supremo e o Congresso; veja fotos

Eventos minimizaram o vazamento de conversas envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro

Ato em apoio a Moro e à Lava Jato, em BrasíliaAto em apoio a Moro e à Lava Jato, em Brasília - Foto: Evaristo Sá / AFP

Atos a favor principalmente da Operação Lava Jato, do governo do presidente Jair Bolsonaro, do pacote anticrime apresentado pelo ministro Sergio Moro e em defesa da reforma da Previdência ocorreram neste domingo (30) em ao menos 24 estados e no Distrito Federal. No Recife, a manifestação foi realizada na avenida Boa Viagem. Até o fim da tarde deste domingo (30), ao menos 70 municípios brasileiros tinham registrado atos.

Desde o início da manhã, protestos já eram registrados nas capitais e principais cidades do interior do País, que invariavelmente contaram com o hino nacional e, em alguns casos, com orações antes ou após as manifestações. Com roupas principalmente nas cores verde e amarela, os manifestantes portavam cartazes e faixas de apoio ao governo e ao combate à corrupção, mas também defendiam outras bandeiras.

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Em Salvador, por exemplo, cartazes expostos no Farol da Barra criticavam o MBL (Movimento Brasil Livre) e propostas como a liberação do aborto. Outro alvo presente nas manifestações foi o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, que vem publicando desde o último dia 9 mensagens trocadas pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato nos últimos anos.

Em Brasília, manifestantes se reuniram em frente ao Congresso Nacional e concentraram as críticas nos ministros do STF. Uma das pautas mais defendidas foi a CPI da Lava Toga, para investigar os magistrados. Em frente ao Congresso foram inflados quatro bonecos gigantes. Dois do ex-presidente Lula (ambos com roupa de presidiário), um de Moro vestido de super-homem e um que une três políticos: Lula, o ministro Gilmar Mendes (STF) e o ex-ministro do PT José Dirceu. Esse boneco associa o STF ao PT.

Apesar de ter sido indicado ao Supremo pelo PSDB e de ser historicamente descrito como um adversário do PT, Gilmar é um dos principais alvos dos grupos bolsonaristas. Recentemente o ministro votou a favor de um habeas corpus para Lula, pedido que acabou negado por uma das turmas do STF.

Ato em Brasília foi em frente ao Congresso Nacional

Ato em Brasília foi em frente ao Congresso Nacional - Foto: Evaristo Sá/AFP

O ato deste domingo, que se repete em outras cidades do Brasil, foi convocado após a divulgação de conversas atribuídas a Moro e integrantes da Lava Jato levantando a suspeita de que o ex-juiz tenha sido parcial no julgamento de Lula, condenado em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá (SP). A revelação dos diálogos, iniciada pelo site The Intercept Brasil em 9 de junho, deixou o titular da Justiça sob ataque.

Em Copacabana, no Rio, as críticas ao Supremo dividiram espaço com um "vaiaço" também aos chefes do Legislativo, homenagens ao menino Rhuan e até um lamento coletivo pelo "politicamente correto" que impede chamar morador de rua de mendigo.
Os atos que tomaram um trecho da avenida Atlântica eram, a princípio, um desagravo a Moro. "O senhor nos livrou das trevas", dizia um dos cartazes de apoio ao ministro, ao lado de bandeiras do Brasil gigantes erguidas por dois guindastes.

O aposentado Carlos Sato, 68, resumia o sentimento de muitos amigos sobre os diálogos vazados que colocaram Moro na berlinda: "Se ele falou mesmo tudo aquilo, fez bem. Se for pra tirar a petralhada bandida, não vai ser na meiguice. Com quem joga sujo você não pode dar mole".

Mas o ranço com Congresso e Supremo era tão presente quanto os apoios ao ex-juiz. Um minicaminhão com faixa do movimento Nas Ruas trazia na lateral uma cartolina que lembrava a frase do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sobre bastar um cabo e um soldado para fechar a mais alta corte do Judiciário brasileiro. Para ilustrar, um desenho do personagem Recruta Zero.

No Rio, o ato tomou a avenida Atlântica

No Rio, o ato tomou a avenida Atlântica - Foto: Mauro Pimentel/AFP

O mesmo veículo anunciava a venda de copos do Moro e do presidente Jair Bolsonaro (PSL) por R$ 10. Pediam essa ajuda financeira dos protestantes, alegando que faziam um ato "do povo para o povo", sem ajuda de CUT e MST, como seria o caso de manifestações esquerdistas.

"Vocês são do MBL?", perguntou um senhor. Ouviu a negativa e respirou aliviado: não gostava do Movimento Brasil Livre, que defende Moro mas vem fazendo críticas ao governo Bolsonaro. "Graças a Deus, MBL é traidor do povo."

O trio elétrico do movimento Brasil Conservador puxou uma vaia para os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Também foram alvos de repúdio popular os ministros do STF Ricardo Lewandovski e Dias Toffoli, além de Gilmar.

"A agenda deles era anti-Brasil", afirmou uma senhora que se identificou como Neide do Brasil. "Eles querem dar sobrevida à mamata lulista", ela continuou. Parou ao descobrir que falava com a repórter da Folha de S.Paulo. A imprensa é malvista nas manifestações, com recados à "Globo lixo" e à "Folha mentirosa" em algumas camisetas e cartazes.

Depois da vaia para aqueles definidos como "inimigos da nação", um orador no trio do Brasil Conservador disse que as ruas de Copacabana estavam infestadas de "cracudos". Ironizou em seguida: "Não posso chamar de cracudo, deve ter jeito politicamente correto". Teve até lei municipal para proteger população "em situação de rua", afirmou. "Não é lindo esse eufemismo? Não pode mais falar mendigo."

Também havia também referências a Rhuan Maicon da Silva Castro, 9, morto pela mãe e pela namorada dela enquanto dormia, com uma facada no coração. Parte da direita passou a dizer que a imprensa profissional abafou o caso, pois não haveria interesse em dar visibilidade para um crime cometido por lésbicas -segundo essa alam, um suposto acobertamento para não contrariar a comunidade LGBT+. O caso foi noticiado nos principais veículos.

"A gente precisa mesmo de vida extraterrestre para dar um jeito no país", disse um homem ao ver dois atores fantasiados como os monstrengos espaciais Alien e Predador -cobravam R$ 5 para posar com os manifestantes de verde-amarelo.

Pouco antes, na mesma esquina da Atlântica com a rua Miguel Lemos, um rapaz abriu a janela de seu apartamento no térreo e sacudiu uma bandeira do Lula. Uma pequena turba se reuniu para puxar o coro de "babaca".

Em São Paulo, a manifestação foi realizada na avenida Paulista. Quatro carros de som ficaram concentrados em três quarteirões da via. Um deles, com faixas "Direita São Paulo", defendia a flexibilização na legislação para que cada cidadão possa ter sua arma de fogo.

Um carro de som do MBL exibe uma faixa em apoio à Lava Jato. O movimento Nas Ruas inflou um boneco gigante com a imagem de Moro ao lado de um carro de som. Manifestantes de todas as idades, vestidos de verde e amarelo, com bandeiras do Brasil, cartazes e faixas em defesa de Moro, se misturaram a quem passava pela avenida. 

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste as manifestações ocorreram em Minas Gerais e no Espírito Santo. Em Belo Horizonte, a praça da Liberdade, tradicional reduto de manifestações, teve ato durante a manhã, assim como outras cidades do estado –Uberlândia, Uberaba e Juiz de Fora entre elas.

Já no Espírito Santo, a manifestação de mais de duas horas em Vitória contou com passeata e participação de caminhoneiros numa carreata. No interior paulista, Campinas, Santos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos e São Carlos são algumas das cidades que registraram manifestações.

A avenida Paulista, em São Paulo, foi o palco das manifestações na capital paulista

A avenida Paulista, em São Paulo, foi o palco das manifestações na capital paulista - Foto: Nelson Almeida/AFP

Em Curitiba (PR), cidade-sede da Lava Jato e onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre pena na PF (Polícia Federal), a manifestação teve início na Boca Maldita na tarde deste domingo. Além da defesa de Moro, sobraram críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) durante o ato. Também no Sul, cidades de Santa Catarina registraram manifestações, assim como Porto Alegre (RS), que teve ato na avenida Goethe.

Já no Nordeste, uma carreata em São Luís (MA) ocorreu em entre a praça do Pescador e o palácio do governo estadual. Em Alagoas, a manifestação em Maceió teve início de manhã e durou cerca de cinco horas, de acordo com os manifestantes e a polícia. O ato em Natal (RN) durou três horas, só terminando às 18h, e contou com a interdição no trânsito numa avenida.

Na capital de Sergipe, Aracaju, a manifestação, pequena, ocorreu na zona sul da cidade, principalmente com cartazes defendendo Bolsonaro. Teresina foi outra capital nordestina a registrar atos, na avenida Raul Lopes, zona leste da cidade. Em Fortaleza, um ato organizado por ao vários grupos reuniu manifestantes na praça Portugal, no entorno de um trio elétrico. Bandeiras foram distribuídas no protesto em João Pessoa (PB), que gerou a interdição no tráfego de veículos numa avenida.

Na região Norte do Brasil, ocorreram manifestações em todos os estados. No Pará, faixas e bandeiras foram carregadas pelos participantes do ato que percorreu cerca de 1,5 quilômetro no bairro Umarizal, na capital, Belém. As principais pautas defendidas no protesto foram a operação Lava Jato e o ministro Sergio Moro, assim como na manifestação registrada em Palmas (TO) no fim da tarde.

No Centro-Oeste, houve manifestações em Cuiabá e em Goiânia. Na capital de Goiás, o ato ocorreu em frente à unidade da PF na cidade, durante a tarde deste domingo, e contou com interdição do trecho em frente ao prédio.

Bolsonaro
De volta da viagem ao Japão, onde participou dos encontros do G-20, Jair Bolsonaro comentou brevemente os protestos, na entrada do Palácio da Alvorada. "É um direito de o povo se manifestar. Eu costumo sempre dizer. A união dos três poderes precisa fazer parte de nós. Está no coração, no sentimento nosso. Uma coisa que pode levar o Brasil ao local de destaque que merece", afirmou.

Na Esplanada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente, e o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) subiram em um dos carros de som e discursaram.

"Alguém aí gosta de bandido, alguém aqui é amigo de bandido? (...) Jair Bolsonaro já falou, Sergio Moro não sai. Nosso total apoio ao ministro Sergio Moro", discursou Flávio Bolsonaro. Heleno fez uma enfática defesa de Moro, dizendo ser uma "calhordice" quererem transformá-lo em acusado.

Organizadores
Movimentos como VPR (Vem pra Rua), MBL (Movimento Brasil Livre) e Nas Ruas, que foram indutores de protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), capitaneiam a organização, ao lado de grupos de menor capilaridade, que mantêm páginas em redes sociais.

O VPR contabilizava até a manhã deste domingo concentrações marcadas em 203 cidades e mais de 318 mil pessoas convidadas. A lista incluía atos fora do Brasil, em lugares como Nova York, Lisboa, Genebra e Buenos Aires.

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