'Moro assumir ministério é vergonhoso para a Justiça brasileira', diz líder do PT na Câmara

Para Paulo Pimenta, a decisão de Moro em aceitar o convite é um 'escândalo sem precedentes'

Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, afirmou que é um 'escândalo sem precedentes' a decisão de MoroPaulo Pimenta, líder do PT na Câmara, afirmou que é um 'escândalo sem precedentes' a decisão de Moro - Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), afirmou nesta quinta-feira (1º) que a decisão do juiz Sergio Moro de aceitar o convite para ser ministro da Justiça do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) é vergonhosa para a Justiça brasileira. "É algo criminoso, ilegal e vergonhoso para a Justiça brasileira", afirmou à reportagem.

Pimenta classificou como um "escândalo sem precedentes" a decisão do juiz, responsável pela Lava Jato em Curitiba. "Tira qualquer dúvida sobre a participação decisiva da Lava Jato para que o Bolsonaro se tornasse presidente", disse. Moro é o juiz responsável pelo processo que resultou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano. Com intenção de concorrer à presidência, Lula aparecia nas pesquisas de intenção de voto como primeiro colocado.

"É um juiz que atuou decisivamente para que o lula não fosse candidato, que durante o período das eleições tomou decisões como a liberação da delação do Palocci, como a proibição do acesso do lula à imprensa, como ele atuou para impedir o cumprimento do habeas corpus", disse o deputado.

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Moro foi sondado ainda durante a campanha sobre a possibilidade de compor a equipe de Bolsonaro caso este fosse eleito. Ele se encontrou com o capitão reformado nesta quinta pela manhã, no Rio de Janeiro. A avaliação de petistas é que politicamente a decisão é boa para Lula, pois reforça o discurso do partido de parcialidade do juiz em relação ao processo contra o ex-presidente.

Membros da sigla também avaliam que ao convidar para um ministério um juiz com alta popularidade, Bolsonaro pode ter arrumado para si um problema, já que terá de explicar à opinião pública uma eventual decisão de demiti-lo. Segundo Pimenta, o partido entrará com medidas judiciais contra a nomeação de Moro. "Não só no Brasil, mas também em fóruns internacionais", afirmou.

A presidente do PT, senadora e deputada federal eleita Gleisi Hoffmann (PR), o ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff (PT), José Eduardo Cardozo, o ministro das Relações exteriores no governo Lula, Celso Amorim, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticaram a escolha do juiz Sergio Moro para ministro da Justiça.

"Moro será ministro de Bolsonaro depois de ser decisivo pra sua eleição, ao impedir Lula de concorrer. Denunciamos sua politização quando grampeou a presidenta da República e vazou para a imprensa; quando vazou a delação de Palocci antes das eleições. Ajudou a eleger, vai ajudar a governar", afirmou Gleisi.

Cardozo disse que que está "estupefato, absolutamente espantado" com a ida do magistrado para um governo com o qual ele colaborou indiretamente, com suas decisões. "Eu nunca vi nada parecido na história da magistratura. Curiosamente, aquele juiz que se dizia imparcial e isento aceita cargo num governo que ele ajudou indiretamente a eleger com suas decisões".

Celso Amorim chamou a decisão de espantosa. "Apenas confirma todas as suspeitas de que o juiz Sérgio Moro tenha partido e outros objetivos". Segundo Amorim, seu comportamento é duvidoso: "É como o juiz do Flamengo e Vasco virar presidente de um dos clubes", diz.

Lindbergh classificou a decisão do juiz como um escândalo e disse que o gesto mostra que o magistrado nunca agiu de forma imparcial. "Poucas coisas podem ser mais descaradas do que isto. Sempre alertamos que Moro atuava como militante, e não como magistrado. Depois de interferir no processo eleitoral, vira ministro do candidato beneficiado por ele. Em qualquer lugar do planeta isso seria um escândalo", disse.

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