Moro e Guedes têm alta aprovação entre ricos e baixa entre pobres, diz Datafolha

O único estrato em que Moro é aprovado por menos da metade dos entrevistados é o de pessoas que afirmam ter rendimento familiar mensal de até dois salários mínimos

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio MoroMinistro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro - Foto: José Cruz/Agência Brasil

Os ministros da Justiça, Sergio Moro, e da Economia, Paulo Guedes, apresentam índices de aprovação elevados nas camadas mais ricas da população. A taxa de apoio é consideravelmente menor entre os mais pobres.

Pesquisa Datafolha feita quinta (5) e sexta-feira (6) da última semana aponta que 73% dos entrevistados com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (R$ 9.980) consideram a gestão de Moro ótima ou boa.

A taxa vai a 63% para os que têm renda entre cinco (R$ 4.990) e dez salários mínimos, chegando a 56% na camada com renda de dois (R$ 1.996) a cinco salários.

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O único estrato em que Moro é aprovado por menos da metade dos entrevistados é o de pessoas que afirmam ter rendimento familiar mensal de até dois salários mínimos. Nesse grupo, os que consideram sua gestão ótima ou boa é de 46%.

Disseram conhecer o ministro 93% dos entrevistados. Entre esses, sem recorte de renda, 53% avaliam sua gestão no ministério como ótima/boa. Outros 23% consideram regular, e 21%, ruim/péssima –3% não souberam opinar.

O chefe do Ministério da Economia, por sua vez, é aprovado por 58% dos que dizem ter renda superior a dez salários mínimos, 53% entre os que ganham de cinco a dez salários, 42% para os que recebem entre dois e cinco salários, chegando a 31% para os que recebem menos do que dois salários mínimos.

Guedes é aprovado por 39% dos entrevistados que souberam identificá-lo –o ministro da Economia é o segundo mais conhecido.

A pesquisa ouviu 2.948 entrevistados em 176 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As entrevistas foram feitas pessoalmente, em locais de grande circulação.

O Datafolha também captou a avaliação dos entrevistados sobre a atuação de Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Abraham Weintraub (Educação), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

Considerando o recorte de renda, a ministra Damares é a única que apresenta resultado inverso, com apoio menor entre as pessoas mais ricas.

A avaliação de ótimo ou bom da ministra ficou em 39% para os que ganham mais que dez salários mínimos, 43% para rendas de dois a dez salários e 42% para os que recebem menos do que dois salários mínimos.

O perfil dos entrevistados pelo Datafolha, assim como a composição da população brasileira, faz com que as pessoas de renda alta tenham menos peso no resultado final do levantamento, por estarem em número menor.

Na pesquisa, 44% dos entrevistados afirmam ter renda inferior a dois salários mínimos. Outros 40% dizem receber entre dois e cinco salários e 9% possuem renda entre cinco e dez salários. Apenas 3% têm rendimento superior a dez salários mínimos.

A gestão econômica de Jair Bolsonaro é focada no ajuste das contas do governo com redução dos gastos públicos.

Desde o início da gestão, a equipe do presidente tenta rebater o discurso da oposição de que as medidas apresentadas prejudicam as camadas mais pobres da população.

Na reforma da Previdência, por exemplo, a nova tabela de contribuições reduziu as alíquotas pagas por trabalhadores com renda mais baixa.

Bolsonaro também assinou medida provisória que institui o pagamento de 13º para o Bolsa Família. Agora, o governo estuda uma reformulação do programa para ampliar as faixas etárias de beneficiários.

Em outra medida, a equipe econômica apresentou o programa Emprego Verde e Amarelo, que tem o objetivo de ampliar a contratação de jovens em primeiro emprego.

O sistema, que prevê uma redução dos tributos cobrados dos empregadores, foi alvo de críticas porque o governo propôs compensar as perdas de arrecadação com novo tributo sobre pessoas que recebem seguro desemprego.

Na segurança pública, houve melhora em índices medidos pelo governo, como a taxa de homicídios. Essa área, porém, carece de critérios de padronização de estatísticas e é alvo de desconfiança de pesquisadores.

A diferença de avaliação entre os entrevistados no critério regional também mostra disparidades. Dos participantes, 64% dos moradores da região Sul consideram a gestão de Moro ótima ou boa. No Nordeste, a aprovação do ministro da Justiça cai para 41%.

As melhores taxas de Guedes ficam com as regiões Sul e Norte, com 44% de aprovação. Entre os moradores do Nordeste, entretanto, 30% consideram a gestão do chefe da Economia ótima ou boa.

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