Na véspera de julgamento sobre Lula, comandante do Exército diz repudiar impunidade

Afirmações do general surgem em um momento de tensão social e política, com protestos ocorridos ou marcados em várias partes do país contra e a favor de Lula

General Eduardo Villas BôasGeneral Eduardo Villas Bôas - Foto: Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou em rede social nesta terça-feira (3), véspera do julgamento do habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no STF (Supremo Tribunal Federal), que repudia "a impunidade". Ele se diz ainda "atento às suas missões institucionais", sem detalhar o que pretendeu dizer com a expressão.

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O general fez duas postagens na noite desta terça-feira (3). Na segunda, afirmou: "Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais".

Declaração do general Eduardo Villas Bôas no Twitter

Declaração do general Eduardo Villas Bôas no Twitter - Crédito: Reprodução/Twitter

Na primeira postagem, o general escreveu: "Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?".

Quarenta e cinco minutos depois das postagens, os comentários tinham cerca de 4,5 mil "curtidas". As afirmações do general surgem em um momento de tensão social e política, com protestos ocorridos ou marcados em várias partes do país contra e a favor de Lula.

A assessoria do Comando do Exército foi procurada pela reportagem por telefone para explicar o contexto das frases de Villas Bôas e qual o objetivo de sua manifestação, mas ninguém atendeu aos telefonemas.

Michel Temer

O presidente Michel Temer decidiu, por ora, não se manifestar sobre a declaração do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, de repúdio à impunidade no país.
Procurada pela Folha, a Secom (Secretária de Comunicação da Presidência) informou que o presidente não vai comentar.

Em caráter reservado, assessores e auxiliares de Temer adotaram o discurso de que o general teve como intenção marcar uma posição pública diante da cobrança para que as Forças Armadas se manifestassem. Para eles, a declaração não indicaria uma possibilidade de as Forças Armadas atuarem politicamente caso seja revertida a prisão imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela condenação em segunda instância.

Nas palavras de um ministro, o general marcou posição "em defesa das regras do jogo", defendendo o respeito às instituições públicas. Alguns auxiliares, mais alarmistas, falam já em "crise institucional".

Para o entorno do presidente, no entanto, o "timing" da declaração, às vésperas do julgamento, pode passar uma mensagem equivocada. Na avaliação deles, a frase pode gerar críticas às Forças Armadas, sobretudo dos partidos de oposição, que podem aventar um risco de golpe.
 

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