'Não tenhais medo', diz Eduardo Bolsonaro ao insistir em referência à ditadura

"Se você está do lado da verdade, NÃO TENHAIS MEDO!", escreveu Eduardo em sua conta no Facebook

Eduardo BolsonaroEduardo Bolsonaro - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alvo de críticas após defender um novo AI-5 caso a esquerda se radicalize, o líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente da República, insistiu em referências à ditadura militar na tarde desta quinta-feira (31) com uma publicação em rede social.

"Se você está do lado da verdade, NÃO TENHAIS MEDO!", escreveu Eduardo em sua conta no Facebook. A mensagem foi acompanhada de um vídeo no qual o então deputado Jair Bolsonaro exalta o primeiro militar reconhecido pela Justiça brasileira como torturador, o coronel Brilhante Ustra.

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Bolsonaro fez homenagem a Ustra durante a sessão da Câmara que autorizou o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Na ocasião, o então deputado elogiou o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), pela condução dos trabalhos e disse que votava "pela memória" Ustra, "o pavor de Dilma Rousseff".

Ustra foi condenado em segunda instância por tortura e sequestro no regime militar (1964-1985).

Em entrevista à jornalista Leda Nagle realizada na segunda (28) e publicada nesta quinta no canal dela no YouTube, Eduardo Bolsonaro falou em uma resposta à eventual radicalização da esquerda "via um novo AI-5".

O AI-5 foi editado em 1968 no período mais duro da ditadura militar (1964-1985).
"Tudo é culpa do Bolsonaro, percebeu? Fogo na Amazônia, que sempre ocorre -eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação- culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa -culpa do Bolsonaro", afirmou.

"Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", afirmou o filho do presidente Jair Bolsonaro.

As declarações de Eduardo Bolsonaro foram vistas por políticos de diferentes partidos (da base governista e da oposição) como um retrocesso, uma evidência de intenções autoritárias e um risco à democracia.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a declaração do deputado indica os "ares democráticos" estão sendo levados embora. "A toada não é democrática-republicana. Os ventos, pouco a pouco, estão levando embora os ares democráticos", afirmou em mensagem à Folha de S.Paulo.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que, com sua fala, Eduardo Bolsonaro deixou claro que o governo Jair Bolsonaro "quer seguir o caminho do fascismo". "Pela primeira vez eles deixam claro o querem: o caminho do fascismo."

A família Bolsonaro tem um histórico de exaltação ao período da ditadura militar no país.

Líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro já havia defendido o uso da repressão policial caso o Brasil registre protestos como os que ocorrem no Chile por melhorias sociais e contra o alto custo de vida no país.

Em discurso no plenário da Casa na terça (29), o filho do presidente da República acusou a esquerda de não ser democrática e de querer um terceiro turno das eleições. "Eles vão querer repetir no Brasil o que está acontecendo no Chile. O Chile é a referência da América Latina com relação à economia. A maior renda per capita da América Latina, a referência em Previdência", afirmou.

O Ato Institucional nº 5, marco do período mais duro da ditadura militar brasileira, foi editado em 13 de dezembro de 1968, no governo do marechal Costa e Silva, e deixou um saldo de cassações, direitos políticos suspensos, demissões e aposentadorias compulsórias.

O mais radical decreto do regime também abriu caminho para o recrudescimento da repressão, com mortes e desaparecimentos de militantes da esquerda armada.

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