Para derrubar denúncia, Temer reabre seu gabinete a deputados da CCJ

Ofensiva tem como objetivo, neste primeiro momento, assegurar novamente o voto de deputados federais que se posicionaram favoravelmente ao peemedebista na primeira denúncia

Presidente Michel TemerPresidente Michel Temer - Foto: Beto Barata/PR

Mesmo antes de ser notificado sobre a nova denúncia contra ele, o presidente Michel Temer iniciou estratégia de abrir o gabinete presidencial para receber pessoalmente integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

A ofensiva teve início na terça-feira (26) e tem como objetivo, neste primeiro momento, assegurar novamente o voto de deputados federais que se posicionaram favoravelmente ao peemedebista na primeira denúncia.

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Na terça-feira (27), ele se reuniu em audiências separadas com os deputados federais Gorete Pereira (PR-CE), Luiz Fernando Faria (PP-MG), Bilac Pinto (PR-MG) e Paulo Maluf (PP-SP). O último foi condenado por lavagem de dinheiro e recorre no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os quatro se posicionaram para que a denúncia fosse barrada e são considerados parlamentares com influência em suas respectivas bancadas parlamentares.

Nesta quarta-feira (27), ele marcou audiências reservadas com Milton Monti (PR-SP) e com a bancada federal do Podemos - que tem três deputados federais na comissão parlamentar, entre titulares e suplentes.

Nos encontros reservados, o peemedebista tem reafirmado a sua defesa contra a denúncia, desqualificando a acusação apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

A ideia é que a romaria continue até a votação final em plenário e se estenda aos parlamentares indecisos. A meta do presidente é conseguir pelo menos 43 votos contra a denúncia na CCJ, número maior que o alcançado no relatório anterior.

Nas palavras de uma auxiliar presidencial, é necessário demonstrar mais força pública na atual denúncia para corroborar discurso do governo federal de que ela é mais frágil que a anterior.

O Palácio do Planalto também começou a fazer um mapa dos cargos de segundo e terceiro escalões que poderão ser realocados em busca de votos favoráveis ao presidente.

O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), deve decidir nesta quarta-feira (27) se vai desmembrar a denúncia, separando o processo de Temer de seus ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).

O nome mais forte para a relatoria da denúncia é o do deputado federal Evandro Gussi (PV-SP), próximo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Na primeira denúncia, o presidente ficou ressentido com o fato de a bancada do PSDB em São Paulo ter votado quase toda pelo prosseguimento da acusação.

Em conversas reservadas, o peemedebista disse que o governador não se esforçou para ajudá-lo.

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