A bebida brasileira

Café - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Se você pensou em cachaça ou cerveja, se enganou. Bem, essas podem até melhor representar o gosto nacional, não discuto, mas não foi nelas que pensei. Refiro-me ao café, produzido no Brasil em volume tal que o coloca em primeiro lugar no mundo. Há uma narrativa por aí que produzimos os grãos, vendemos para o exterior e compramos de volta, beneficiados sob forma de cápsulas (ou outras apresentações), pagando um preço bem mais alto. Não acho nada difícil que assim seja, mas essa é outra história. Por aqui é muito consumido - só os norte-americanos nos passam para trás - de várias maneiras: filtrado ou coado, na prensa francesa, na Moka (cafeteira italiana), turco, espresso, em cápsulas... E com diferentes receitas.

O café tem sua questionável história começando no século IX. Pelas mãos de Kaldi, pastor de carneiros na Etiópia, que ao imitar seu rebanho e consumir os frutos daqueles arbustos, teve uma reação de agradável euforia. Não tardou e o café se alastrou pela Arábia, mais adiante pela Europa e daí para o resto do mundo. É hoje, depois da água e do chá, a bebida mais consumida no mundo. E como chegou no Brasil? Segundo a Associação Brasileira do Café “foi em 1727 que o oficial português Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiana Francesa, trouxe as primeiras mudas da rubiácea para o Brasil. Recebera-as de presente das mãos de Madame d’Orvilliers, esposa do governador de Caiena. Ora, como a saída de sementes e mudas de café estava proibida na Guiana Francesa, é lícito pensar que o aventureiro português recebeu de Madame não só os frutos, mas outros favores talvez mais doces. As mudas foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade”. As “madames” francesas sempre inspirando fofocas de alcova, né amigo?

Depois o café passou pelo Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Por volta de 1825 se estabeleceu no Vale do Paraíba e iniciou um novo ciclo econômico no país. Por quase um século o café foi a grande riqueza nacional e as divisas geradas pelos cafezais aceleraram o desenvolvimento do Brasil, nos inserindo nas relações internacionais de comércio. Tal qual nos melhores países produtores de vinho, atualmente temos 12 regiões demarcadas de café no Brasil. Leitor, Pernambuco não ficou fora dessa febre agrícola. Não consegui descobrir a época em que os primeiros cafezais foram implantados por aqui, mas aparentemente se deu apenas no século XX. As maiores áreas plantadas estão no agreste, com destaque para Garanhuns, Triunfo e Taquaritinga do Norte. Nessa última cidade estão hoje as mais prestigiadas fazendas de café do estado. Sem demérito de outros produtores, se sobressai o Yaguara, um café ecológico elaborado na fazenda Várzea da Onça (www.yaguara.com.br ). O grande expert Romoaldo de Souza me Indicou também duas versões do ótimo Café do Brejo, elaborado em Triunfo. Aliás, segundo ele, Pernambuco é berço de um número crescente de cafezais de qualidade. Pois então vamos prestigiá-los, leitor, dando sempre preferência a comprar nossos cafés. Restando agradecer a Romoaldo pelas ótimas dicas. Amigo, com uma xícara de café pernambucano, meu tim, tim, brinde à vida.

 

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