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A história da Sidra

Vamos à origem e à evolução desta bebida fermentada de maçã, em geral naturalmente gaseificada

Sidra: praticamente restrito às festas natalinas e virada de anoSidra: praticamente restrito às festas natalinas e virada de ano - Foto: Canva

Tem mais de uma. Incluindo uma bem peculiar. Que conto depois. Por enquanto, vamos à origem e à evolução desta bebida fermentada de maçã, em geral naturalmente gaseificada. 

Há evidências fósseis de árvore da família Rosaceae, com aspecto de macieira, há 55 milhões de anos, no que corresponde atualmente ao noroeste chinês. Será que aquele famoso e sensual “episódio” de Adão e Eva aconteceu ali?? Fofocas a parte, após a última era glacial, paulatinamente, a macieira foi se expandindo em direção ao oeste. Por volta de 3.000 a.C., com o domínio do processo de enxertia pelos mesopotâmios, surgiram árvores com melhores qualidades de frutas. Mas como de costume, foram os gregos e romanos que deram um salto qualitativo na cultura das macieiras. Desta época, há referências a um fermentado de maçãs com nome de “Sikera” ou “Sicera”, provável origem do nome Sidra. Pelo clima, a árvore migrou para o norte da Europa, em especial Normandia e Bretanha, onde o terroir não era propício para uvas (vinho). Com a conquista normanda da Inglaterra, no século XI, a macieira foi levada para lá, onde tomou vulto. Na Idade Média, os monges dos mosteiros - sempre eles! - aprimoraram técnicas de fermentação e a Sidra ganhou grande destaque. Particularmente nos séculos 17 e 18, sua época de ouro. Com a revolução industrial o método artesanal foi substituído, com perda de qualidade. No Reino Unido, criaram uma taxação, visando pagar dívidas do estado - embora sejam campeões disto, não é exclusivo de Lule e Taxad, leitor - tudo colaborando para o declínio do consumo desta bebida. Atualmente há uma crescente campanha para recuperar prestígio da Sidra. 

Por esses dias tirei umas férias e inclui no roteiro conhecer Rouen, bela cidade medieval da Normandia. Onde, claro, tomei uma típica Sidra da região, muito saborosa. No Brasil, as espécies de macieiras não são ideais para produção dessa bebida fermentada, requerendo ajustes de gaseificação e doçura, com perda de qualidade. Por aqui, seu costume é praticamente restrito às festas natalinas e virada de ano. Quem não já bebeu a famosa Sidra Sereser®, nessa época?

E a tal história peculiar? você, leitor curioso, me pergunta. Vou resolver sua ansiedade. Trinta anos atrás - nossa, como o tempo voa mesmo - Marcela, minha filha, foi fazer um intercâmbio em Cambridge, Inglaterra. Um dia foi a um pub e, com orçamento restrito (a Boots que me contradiga; mas essa é outra história), pediu uma cerveja, que achou cara. Aí alguém soprou no seu ouvido: “pede uma cider (nome inglês da bebida)”. Eureka! Cabia no orçamento. E era gostosa, docinha e borbulhante. No próximo contato nos relatou, “pai descobri aqui uma bebida diferente, boa e barata, cider”. Depois de uma demorada risada retruquei, “menina, isso é a nossa popular Sidra Cereser”. Que para minha surpresa, ela desconhecia! Donde conclui que nossos natais eram sofisticados, amigo!

Trouxe uma “cidre” da Normandia. Vou abri-la para amargar a perda de mais uma copa do mundo (ficou para 2030, companheiro de agruras). Ao mesmo tempo, brindar aos espanhóis, merecidos campeões. Aliás, lá, nas Astúrias, produzem uma afamada Sidra. Com ela, tim, tim, brinde à vida. 

 

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