Grande vazio

Grande vazio - Arte: Greg/Folha de Pernambuco

Quando decidi por esse título, fui pesquisar, no Aurélio e outros dicionários, vários significados da palavra vazio. Tenho por hábito fazer isso. Mas gostei do que li não! “Que nada contém; que só contém ar; que não tem ocupantes; desocupado; sem fundamento; vão, fútil, frívolo; algo sem significado; vaidade, insignificância” e por aí vai. Vôtes, tem absolutamente nada a ver com o objetivo deste texto! Mas ainda bem que lá no fim das citações, me deparei com: “sentimento angustiante produzido por saudade, privação ou ausência”. Agora sim! Esse é o meu vazio. E de tanta gente amiga de Licínio Dias, que partiu deste mundo no último dia de 2020, esse ano tão perverso. Foi daquelas pessoas que deixava amigos por onde passava, com seu sorriso alegre, sua conversa animada e seu coração largo. O que culminou com a criação de um grupo de whatsapp onde só era permitido falar de coisas amenas, gostosas e felizes (se bem que uns raros confrades ousavam discutir política, de pronto repreendidos pelo “Primeiro Ministro”). Acha que esse tipo de grupo não existe, não é leitor? Você, acostumado com seus grupos, nesse triste momento da humanidade, a só receber “fake News” e notícias ruins... Pois, acredite. São cerca de 100 integrantes, todos seus amigos, que ali se confraternizam diariamente – ah, como eu queria ter tempo para desfrutar de tudo, inclusive das leseiras, que é postado! Você precisava ler o “obituário” espontâneo de Licínio, preenchido pelas mensagens de amizade, carinho e saudade de todos os confrades, para entender a personalidade carismática dele. Que no campo profissional, foi um incansável lutador e inovador, tanto na gastronomia quanto na importação de bebidas. Foge ao escopo dessa coluna detalhar todos os empreendimentos – bares, restaurantes, lojas e até eventos carnavalescos – que ele criou e conduziu em Pernambuco e outros estados. Você, que se lê essa coluna é amante das boas bebidas e comidas, certamente conhece e desfruta de vários, dispensando assim minha apresentação. Meu objetivo é somente fazer uma singela homenagem a uma pessoa que teve a vida encurtada – se foi muito jovem – por uma doença impiedosa. Com a qual, vale salientar, teve uma bonita relação de coragem e resiliência, preservando um realista bom humor até o final. Deixou muita saudade nos parentes e na legião de amigos, mostrando que sua vida valeu a pena. 


Por fim, preciso explicar que o título desse texto foi gerado com uma segunda intenção: fazer um paralelo ao vinho GRANDE VADIO, produzido na Bairrada, Portugal, por Luis Patrão, genro de Licínio, com a forte participação de Eduarda, uma das suas quatro filhas. Esse vinho, que apesar de ainda jovem no mercado, já mereceu muita reverência de críticos enológicos, onde destaco 94 pontos do famoso Robert Parker. Mas que, acima de tudo, era uma paixão de Neno, como era afetivamente conhecido nosso homenageado. Pois bem, amigo, é com uma taça dele que faço hoje meu tim, tim, brinde à vida (eterna), de Licínio.

 

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