Mapa do vinho: Venezuela
Claro que a escolha da coluna de hoje tem tudo a ver com o recente sequestro de Maduro – caiu de podre, felizmente – e a liberação do povo venezuelano. Poucas vezes vi o lema “ano novo, vida nova” fazer tanto sentido, leitor. Para a Venezuela.
Que por aqui, continuamos na mesma. Os “canhotos de poltrona”, sempre mudos quanto às violações de direitos e atrocidades humanas, praticadas por ditadores (sem e com toga) deste e de outros países, despertaram subitamente, sacaram seus teclados e tome “chumbo” (balas de festim, melhor
dizendo).
Só comprovando o que disse: continuamos na mesma, nessa terra Brasilis! Que Deus se apiede de nós! Mas vamos aos vinhos venezuelanos. Tarefa muito difícil, viu? A vinicultura lá é bem incipiente, amigo.
Também, com o tanto de petróleo que tem, para que pensar em outras fontes de renda? Ademais, em face de sua geografia, muito de sua cultura é de fato caribenha. Rum e bebidas a base de cana são bem mais populares por ali. Sem falar do café e da cerveja, campeões mundiais.
Quem manda eu me entusiasmar com a prisão do tirano Maduro e decidir por esse tema? Então se vira, Murilo! Como quase todos os países sul-americanos de colonização espanhola, a viticultura foi trazida pelos padres, no século XVI.
Em princípio, para os ofícios religiosos. Que só Deus sabe o que faziam depois nas celas dos conventos! Porém, diferente de Argentina, Chile e Uruguai, onde essa cultura se propagou, na Venezuela não vingou. Só nas últimas décadas do século passado houve um florescimento da indústria vinífera. Afinal, há locais com clima e solo adequados para isso.
A terra de Maria Corina Machado é dividida em 23 estados, amigo. Dois deles, Zulia e especialmente Lara, se destacam para plantio de castas vitiviníferas. Essa última região atraiu interesse de um conglomerado industrial local, a Polar – entre outras, representante da Pepsi-Cola venezuelana.
Taí, Zé Paulinho, uma boa conexão da cola com o vinho! Aliado à Martell, uma grande indústria francesa do ramo de bebidas, a Polar formou uma joint venture, denominada Bodegas Pomar, que hoje praticamente domina o cenário vinífero do país. Produção bem pequena. Ainda.
Quem sabe, com a queda do regime ditatorial de esquerda, o setor produtivo não ganha volume. E qualidade. Consequentemente, renda e emprego. Aí, um dia visitando a Venezuela, poderei tomar um bom vinho local.
Com o qual brindarei à retomada do que um dia foi um belo país. Antes de Chavez e Maduro! Na esperança de um dia escrever essas mesmas linhas sobre “aquele colega” deles daqui, tim, tim, brinde à vida.



