Seg, 18 de Maio

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Quer beber vinho de graça?

VinhoVinho - Freepik/Reprodução

Posso lhe convidar para isso não, amigo. A coisa está preta, dinheiro rareando. Só quem tem sobrando é o pessoal do Planalto, com cofres cheios dos impostos que pagamos todo dia. Agora tem até gente lá com hábito de guardar dólares na cueca! Esses podem lhe fornecer vinho de graça. Se bem que eu não beberia. Sei lá, confio neles não. Mas existe um outro meio. Com investimento inicial de uma passagem aérea
internacional. Veja a dica.

Está em curso, na Espanha, o maior ensaio clínico já realizado para avaliar os efeitos do consumo moderado de vinho na saúde humana. Liderado pelo Professor Miguel Martinez-Gonzalez, da Universidade de Navarra e de Harvard, o estudo UNATI (University of Navarra Alumni Trialist Initiative) quer responder a uma questão central: o vinho deve, ou não, integrar a Dieta Mediterrânica, conhecida por seus efeitos  benéficos.

A investigação surge num contexto de posições contraditórias. Por um lado, a Dieta Mediterrânica — tradicionalmente associada ao consumo moderado de vinho — continua a ser considerada uma das mais saudáveis do mundo.

Por outro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) insiste que “não existe um nível seguro de consumo de álcool”. Com o apoio parcial do Conselho Europeu de Investigação, o estudo UNATI inclui  10.000 participantes espanhóis com mais de 50 anos. Estes serão divididos em dois grupos: um que deixará completamente o consumo de álcool e outro que continuará a ingerir pequenas quantidades de vinho tinto às refeições. O acompanhamento será feito até 2028, com especial atenção à incidência de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

Este novo estudo surge após o sucesso do PREDIMED, também liderado por Martinez-Gonzalez, que demonstrou que a Dieta Mediterrânica — incluindo o consumo opcional de vinho — reduzia em 30% o risco de eventos cardiovasculares graves.

Dados recentes, com base em marcadores urinários de consumo de vinho, reforçam a associação entre consumo moderado e benefícios cardíacos. Ainda assim, a OMS mantém-se firme na sua posição, sustentada por estudos como o Global Burden of Disease (GBD), publicado em The Lancet, que associa o álcool a riscos de câncer e outras doenças. Curiosamente, uma atualização posterior do mesmo estudo sugere que pequenas quantidades de álcool podem ser benéficas em populações com elevado risco cardiovascular — contradição que a OMS não chegou a integrar nas suas diretrizes.

A equipe de Martinez-Gonzalez argumenta que o padrão de consumo importa: vinho às refeições, em pequenas doses, e repartido ao longo da semana parece ter um efeito distinto de outros estilos mais descontrolados de consumo. Estudos prévios mostraram que esse padrão está associado a uma menor mortalidade.

Portanto, nada mais adequado que uma investigação com uma amostragem populacional de grande número, como esse. Agora você pergunta, onde entra a sua gratuidade? Um passarinho, que mora nas redes sociais, me contou que eles ainda não atingiram o número almejado de participantes. Entendeu? Contate a Universidade de Navarra e quem sabe você é agraciado com a oportunidade de beber, gratuitamente, vinho espanhol até 2028.

Onde você vai se hospedar? Estás igual a um habitante de Brasília, que só quer mamata, viagens, sombra e água fresca. Com paca assada! Tim, tim, brinde à vida.

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