Vacina e álcool

Vacinação - Foto: Alexandre Aroeira/Folha de Pernambuco

Sim, é sobre a vacina para SARS-Cov-2, o coronavírus causador da Covid-19. Não, não é sobre higienização das mãos com álcool a 70% ou gel. Recomendação divulgada inicialmente de maneira tão inadequada que causou dano irreversível nessa pandemia, com repercussão até os dias de hoje. Não me entenda mal, leitor, longe de mim negar que a higiene das mãos tem importância no controle de infecções em geral, o que não seria diferente com esse vírus. Falo de priorização. É que as entidades médicas, OMS e as que lhe seguiram, deram uma tal ênfase a isso, que até parecia uma doença dermatológica, em vez de infecção das vias respiratórias! Pior, inicialmente disseram que o uso de máscaras seria ineficaz, pecado capital que só corrigiram depois do vírus já ter atingido uma grande disseminação. Até o importantíssimo distanciamento social foi negligenciado. Bem, após algumas semanas, também recomendaram que guardássemos distância de terceiros, mas o que ficou fixado na cabeça das pessoas foi aquele inicial “álcool nas mãos”. Ironicamente, de todos esses cuidados – isso está bem comprovado por estudos – o menos eficiente. Mas, fazer o quê, sobre esses equívocos do passado? Nada, só aprender com eles para não repetirmos no futuro. 

Então, pensa você, esse álcool do título poderia se referir aos jocosos “posts” das redes sociais, com “seringas” de vinho e cerveja injetados direto no músculo. Que coisa sem graça, não é? Se o bom dessas bebidas é justamente o sabor... Nada disso, amigo. Quero falar de uma antiga lenda, que agora volta a circular. Se tomei a vacina, vou poder ingerir bebida alcoólica? É um questionamento que tenho ouvido de vários pacientes. Começo dizendo que essa é uma resposta de raso fundo científico. Afinal, nenhum pesquisador vai fazer um estudo vacinal usando um “braço de bebedores” para comparação. Portanto, muitos depõem sobre o tema por mero sentimento. Como parecem estar fazendo com esta vacina do SARS-Cov-2. Na Rússia, há uma polêmica em torno da Sputinik V, envolvendo inclusive Dr. Gintsburg, seu desenvolvedor (sem esquecer que russo tem fama de “encarcar” na vodka). De um lado, quarenta dias de abstinência, de outro talvez três dias. Na Inglaterra, também não existe uma recomendação geral, única, prevalecendo o bom senso de não se ingerir grandes volumes de álcool. Os próprios fabricantes da vacina de Oxford não publicaram restrição. Nos Estados Unidos, parece mais consensual que só os chamados bebedores pesados podem ter problemas com a vacina. Afinal, sabemos que todos os alcoólatras apresentam distúrbios de imunidade, sendo lícito acreditar que eles poderiam não gerar os anticorpos pretendidos pela aplicação da vacina. Em resumo, leitor, a possibilidade de uma liberação de ingesta leve de álcool ser interpretada como “pode encher a cara”, gera à divulgação de uma restrição mais radical. Sobretudo se quem restringe é abstêmio! Então, baseado em tudo que pesquisei e li, faço aqui minha recomendação: se você é um bebedor controlado e consciente – e não venha me perguntar como se classifica isso, cientificamente! – ao tomar a vacina, não há proibição de beber um drinque. Já se você nem tem costume de ingerir álcool, se abstenha. Agora, seu cachaceiro inveterado, como a vacina não vai fazer nada por sua imunidade, faça uma boa ação e ceda seu lugar para outra pessoa. E com vacina, ou sem, tim, tim, brinde à vida.

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