Vinho vai desaparecer?
Espero que não, leitor. A campanha é forte – inclusive de uma parte da classe médica – mas resistiremos. Você já deve ter se deparado com algum artigo, em alguma mídia, falando duma importante queda no consumo da preferida de Baco. Há muitos circulando por aí.
Aliás, não sei para que tantos. É falta de assunto? Tendo essa profusão de notícias sobre o Banco Master e aqueles dois togados (e seus familiares) do STF... Mas vamos mudar de assunto antes que o dono do resort mande me silenciar (ele gosta) ou me prender.
Nos últimos dias pelos menos dois intrigantes artigos me chegaram aos olhos (antigamente a gente dizia às mãos, né?). Um, no The Economist e outro, inspirado neste primeiro, na Folha de São Paulo.
A queda de consumo não é apenas de vinho, mas de bebidas alcoólicas em geral. Os números são bem expressivos. Os franceses bebem hoje 50% do que consumiam de vinho em 1970.
Entre os britânicos, conhecidos “bons de taça”, caiu 14% per capita desde 2000. A China, que prometia balancear esse decréscimo, também entrou na onda. As primeiras análises apontavam para o cuidado com a saúde da geração Z, impactada pelas notícias de que álcool provoca câncer.
Aproveitando para comentar. O que parece ser verdade, embora sem uma correlação claramente definida, visto que estatísticas científicas (fonte: National Academies of Sciences,
Engineering and Medicine – NASEM) mostram que os “nunca consumidores” têm mais mortalidade por todas as causas que os “consumidores moderados”. Voltando à atual juventude, como assim saudáveis? E as drogas pesadas, o famigerado VAPE, a retomada do tabagismo convencional, o fast food?
Há levantamentos indicando que esses jovens não bebem menos, mas procuram novidades, produtos mais exóticos, como saquê, cerveja artesanal, etc. Tanto que o consumo de cervejas premium e super premium, assim como destilados, tem aumentado, no ocidente. Então por que estaríamos abandonando o vinho, essa bebida abençoada por Deus. Acha que não? Leia a Bíblia, amigo.
Segundo pesquisadores sociais ouvidos pelo periódico The Economist – isso mesmo, aquele que um dia considerou Lula “o cara”, mas logo recuperou o juízo, enxergou a verdade e voltou atrás – a razão é outra. Vinho sempre foi associado a coletivismo e culinária elaborada. Diferente de destilados e cerveja.
Os famosos “pubs” ingleses são um bom exemplo. Os solitários frequentadores se sentam no bar e pedem cerveja, uísque, gin...
Raramente vinho. Já nas refeições em família ou em grupo de amigos, prevalece a bebida de Baco. Eis a (triste) conclusão, leitor. A humanidade, em especial no hemisfério norte e na Ásia, está cultuando hábitos mais individuais.
As tão faladas “telas” contribuem para isso. Pessoas comendo sozinhas, ainda que vivam em ambientes plurais, na frente da TV, em vez de usar a mesa familiar, é um exemplo. Você deve conhecer gente assim, não é? Sobretudo, na turma da geração Z. Nos EEUU, o número de jovens que faz refeições sozinhos praticamente dobrou nos últimos 20 anos. Gosto disso não, leitor!
Faltando replicar trechos do ótimo artigo do João Pereira Coutinho, na Folha de São Paulo. “Lembrar que as maiores tragédias do Sec XX foram produzidas por abstêmios convictos. Hitler não bebia. Lenin idem”. Povo mal-amado!
Enquanto isso, meu admirado Churchill era proficiente no champanhe. Trump só bebe “diet coke”. Putin nem isso. Lula... bem, esse é um controverso caso à parte! Ao lado de familiares e amigos, hoje uso uma bela e imortal taça de vinho para meu tim, tim, brinde à vida.



