Seg, 08 de Junho

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Baco & Cia.

Vinhos de Vorcaro

Divulgação

Não me consta que ele produza, leitor. Sei que atua na área financeira – e como atua! – nas falcatruas, no varejo de roupas, no futebol, no setor imobiliário, incluindo a aquisição de um famoso resort... cala-te boca, Murilo. Terminam lhe incluindo no processo das Fake News.

Pelo menos na viticultura o Vorcaro não atua! Também não sei sua preferência enológica. Se é que tem. Ou entende.

Mas a julgar pela degustação de uísque Macallan que ele patrocinou para “cumpanheiros” do planalto, togados e a paisana, lá no George Club de Londres, não estranho se gastar – melhor diria, gastava – muito dinheiro na compra de garrafas de vinho. O que me levou a especular que o Master poderia estar por trás de uns recentes leilões.

Nas últimas semanas vários recordes de preço de vinho foram batidos. Uma única garrafa do icônico Romanée-Conti, da lendária safra 1945, ano do final da II Guerra Mundial, foi arrematado por US$812.500 (cerca de R$4,2 milhões) num leilão da Acker Wines.

É o novo recorde mundial. Não apenas a qualidade do vinho – um dos dois ou três melhores do mundo – e a safra excepcional explicam esse valor.

A raridade conta muito. Neste ano, em face da escassez provocada pela guerra, apenas 600 garrafas foram produzidas. Logo depois, houve replantio das vinhas do Domaine de La Romanée-Conti (DRC), fazendo desta safra algo raro, irrepetível.

Portanto, o valor não está apenas no líquido, mas na história da garrafa. Pensando melhor, duvido que o Vorcaro tenha cultura para entender isso.

Dinheiro não é tudo, amigo. Os altos valores não pararam por aí. Mês passado a casa de leilões Sotheby’s New York promoveu uma venda que denominaram “Safras imortais, 200 anos de Bordeaux”, quando várias garrafas de célebres vinhos, de grandes safras, foram leiloadas.

Entre elas, duas magnum (você sabe, garrafas de 1,5 litros) do Château Lafite Rothschild, ano 1870, que atingiram a cifra de US$306.250 (cerca de R$1,55 milhões).

Como um vinho com mais de150 anos de engarrafamento aparentava bom estado de conservação? Bem, elas foram guardadas, intocadas, por um século, nas adegas do lendário castelo de Glamis (Escócia), que há 650 anos pertence aos condes de Strathmore e Kinghorne. Que bela tradição, hein?

Nenhuma chance de Vorcaro ou seus togados entenderem o que é isso, leitor. O lance não foi dele não, garanto.

O que me leva de volta ao início do artigo. Será que ele e seus “cumpanheiros” são apenas do uísque? Vamos esperar os próximos acontecimentos.

E revelações. De todos os lados e crenças. Vem delação premiada por aí e quem sabe a gente descobre toda sujeira. Até mesmo sobre vinhos. Tim, tim, brinde à vida. Com uma garrafa de fonte honesta.

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