Apesar de todo carnaval do governo, leilão do pré-sal é um fiasco, diz Humberto

Senador Humberto Costa - PT/PE - Alessandro Dantas/Senado

Mesmo com o alerta da Federação Única dos Petroleiros de que o governo Bolsonaro iria entregar R$ 1,2 trilhão em barris de petróleo por pouco mais de R$ 100 bilhões no leilão do pré-sal realizado nesta quarta-feira (6), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que a venda foi feita para poucos interessados e ainda contou com a participação da própria Petrobras.

“Não adiantou o carnaval que a mídia e o governo fizeram. Nós já iríamos vender um patrimônio trilionário por um preço de banana, e, mesmo assim, ninguém apareceu. A Petrobras teve de comprar aquilo que já era seu, para não ficar uma coisa vergonhosa. A empresa, infelizmente, está pagando a fatura da incompetência e da falta de confiança”, disse Humberto.

Dois campos de petróleo ofertados no leilão sequer receberam propostas. Apenas um consórcio formado por Petrobras e pelas empresas chinesas CNOOC e CNODC venceu o leilão para explorar dois campos, dos quatro que estavam em disputa. “E elas pagarão R$ 68 bilhões pelo direito de explorar petróleo na área, sendo que expectativa do governo era arrecadar R$ 106 bilhões com o leilão dos quatro campos”, ressaltou o senador.

De acordo com ele, há um forte receio no mundo todo em relação às medidas e declarações nefastas feitas pela família Bolsonaro e pelos integrantes do governo brasileiro que atrapalham, inclusive, o ambiente de negócios – favorável inicialmente ao capitão reformado.

“Quantas empresas multinacionais entraram mesmo para valer no leilão? Só uma chinesa. Acredita-se até que a empresa Total francesa não entrou no leilão porque teria havido um pedido do próprio governo da França, que teria dito: vai disputar isso aqui nesse país que destrói floresta, que mata índio, que desrespeita os direitos humanos?”, contou.

Para o parlamentar, as nefastas políticas implementadas pela gestão bolsonarista irão aumentar ainda mais miséria no país. Dados divulgados hoje pelo IBGE demonstram que o quadro de estagnação econômica piorou a vida dos brasileiros: 13,5 milhões de brasileiros viviam com menos de R$ 145 por mês no ano passado. O número é o maior da série histórica, iniciada em 2012.

“É um quadro crítico, que, infelizmente, só vai aumentar com esse pacote que o governo lançou ontem contra o modelo de Estado previsto na Constituição, contra o serviço público. Estamos diante de um governo que dá sucessivos prejuízos ao Brasil, tantos financeiros como de imagem”, observou.