Modus operandi de investigados pela Operação Gênesis é detalhado

Os resultados preliminares da Operação Gênesis, deflagrada na manhã da última quinta-feira (14), identificaram que um pool de empresas - até o momento são nove - atuavam em Quipapá, na Mata Sul do Estado, e outros municípios. Foram identificados pagamentos de R$ 18 milhões - valor liquidado até julho de 2017.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (15) pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) e Controladoria Geral da União (CGU). O foco principal da operação é a prefeitura de Quipapá, mas existem ações também em outros cinco municípios, incluindo o Recife.

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Os serviços, entre transporte escolar, construção de creches e unidades de saúde, eram terceirizados por essas empresas para outras que nem sempre cumpriam o serviço. Foram apreendidos nos computadores da prefeitura notas fiscais da empresa Genêsis Locações com o nome do arquivo "Nota de Alvaro", dono da empresa SA Souza; notas fiscais das empresas referentes a outros municípios; e boletins de medição com o timbre da empresa SA Souza.
 
Segundo o MPPE, foram desviados do transporte público um total de R$ 10.148.843,74, valor que poderia ter comprado 63 ônibus escolares.

As investigações apontam que os boletins de medições apreendidos, notas fiscais e conluio em procedimentos licitatórios confirmam, a princípio, a prática de venda de notas fiscais. Foi identificado também que os investigados, supostos comerciantes de notas fiscais, efetuavam habitualmente saques acima de R$ 2 mil em espécie.

De acordo com promotor de Justiça Frederico Magalhães, do Centro de Atuação Especializada no Enfrentamento ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação surgiu pela informação de que empresas estariam atuando no município de Quipapá e não teriam condições de realizar os serviços ou que ninguém conhecia. Além de Quipapá, o pool de empresas atua em um grande número de municípios de Pernambuco, segundo informou. Durante a coletiva, não foram divulgados nomes dos envolvidos.

"Normalmente, essas empresas locavam veículos para poder prestar o serviço. Alguns serviços eram executados, outros não. Suspeitamos que a maior parte dos serviços contratados não eram executados por essas empresas ou simplesmente não eram executados", informou Magalhães. Ainda de acordo com o promotor, as empresas em questão se revezavam na contratação com o poder público para as mais diversas finalidades.



Outros valores
"De 2013 até julho de 2017, cerca de R$ 18 milhões foram pagos a estas empresas só no município de Quipapá. R$ 190 milhões é o valor que foi apurado em todo o Estado de Pernambuco, ou seja, em vários municípios, o montante contratado com algumas dessas empresas. Por que algumas? Porque no decorrer das investigações, elas davam conta de quatro ou cinco empresas, no correr das investigações nos apresentou outras três ou quatro empresas que têm atuação que integram esse pool. Essas três ou quatro empresas estão sendo identificadas e os valores estão sendo apurados. Essas outras três ou quatro, a nossa estimativa é que os valores possam atingir a marca nos municípios em torno de R$ 300 milhões. O site Tome de Contas do Tribunal de Contas, já aponta que cinco dessas empresas somam, no total, R$ 190 milhões contratados em todo o Estado", afirmou Frederico Magalhães.

Sede da Menezes Locações, em Orocó

Sede da Menezes Locações, em Orocó - Crédito: AMCS/MPPE


Empresas
Durante a coletiva, foram apresentados alguns casos que chamaram a atenção dos procuradores, envolvendo as empresas Menezes Locações e SA Construtora. A primeira tinha a sede em uma casa de tijolo aparente dentro de um assentamento em Orocó, no Sertão, e não possuía nenhum veículo. No entanto, ela foi contratada para prestar serviço de transporte escolar, tendo recebido R$ 2,185 milhões. A segunda empresa, a SA Construtora, recebeu R$ 6,56 milhões de Quipapá e disputava as concorrências contra a Menezes, apesar de seus donos serem genro e sogro.

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