Movimentos antifascistas e antirracistas se sobrepõem ao bolsonarismo nas redes

O último final de semana foi de grande movimentação no Twitter, rede social que se caracteriza pela efervescência de mensagens de cunho político. Uma análise feita pelo pesquisador Fabio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e especialista em extrações de dados do Twitter, mostrou que manifestações ligadas a movimentos antifascistas de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e movimentos antirracistas foram responsáveis por 91% das interações registradas entre 4 milhões de mensagens analisadas de 730 mil participantes, enquanto mensagens bolsonaristas somaram apenas 9%.

De acordo com Malini, a palavra mais mencionada nas manifestações registradas no Twitter foi Democracia, utilizada por 619 mil vezes. A segunda palavra mais usada foi Polícia, por 329 mil vezes. Ambas palavras foram consideradas "simbólicas" pelo professor.

Entre as cinco postagens que mais geraram engajamento, enumeradas pelo pesquisador, todas estão relacionadas ao movimento antifascista, de oposição a Bolsonaro e que ocupou as ruas da cidade São Paulo, no último domingo (31), sob a liderança da torcida organizada antifascista do Corinthians. A mensagem que mais viralizou foi a do cantor Marcelo D2, replicada por 58 mil usuários do Twitter e curtida por 212 mil vezes. "Fascismo não se discute, se destrói", afirmou D2. A quinta mensagem mais repercutida foi do jornalista José Trajano, que mostrou um vídeo de manifestantes antifascistas em São Paulo. "Torcida antifascista da Gaviões agora na Paulista enfrentando os fascistas bolsonaristas", disse Trajano, em referência à torcida organizada do Corinthians.

Em suas publicações, o pesquisador ressaltou que a bandeira antifascista viralizou nas redes sociais. "A bandeira antifa ser remixada só acontece porque ela virou um meme. Ou seja, um template que cada grupo altera conforme sua identidade. O nome disso chama-se sucesso. Viralização. Imagens viajando daqui pra lá. Fura bolhas", avaliou.

Vale ressaltar que as manifestações que utilizaram a hashtag "Vidas Negras Importam" (Black Lives Matter, em inglês) foram motivadas, majoritariamente, pelos protestos que ocorreram nos Estados Unidos, por conta do assassinato de George Floyd - um homem negro - por um policial branco, e também a mortes ocorridas no Rio de Janeiro, como a do jovem João Pedro, de 14 anos, também vítima da ação policial. 

Veja também

Levantamento aponta que 89% das empresas pernambucanas foram impactadas pela crise
Pesquisa

Levantamento aponta que 89% das empresas pernambucanas foram impactadas pela crise

Com aumento de casos de Covid-19, ganha força nos EUA debate sobre reconfinamento
Coronavírus

Com aumento de casos de Covid-19, ganha força nos EUA debate sobre reconfinamento