Pernambucanos admitem dificuldades para aprovar a reforma da Previdência

Membro da base de apoio de Michel Temer, o deputado federal Augusto Coutinho (SD) admitiu, nesta terça-feira (31), que o governo terá dificuldades para aprovar a reforma da Previdência antes do fim do mandato do presidente. Na sua visão, cresce o sentimento, no Congresso, de que a proposta deve ser bastante simplificada para poder receber o voto favorável dos parlamentares, que se mostram preocupados com os possíveis impactos políticos associados à aprovação da matéria.

Na sua visão, a baixa popularidade de Temer também influi no receio externado pelos congressistas. “O que noto é que aqui em Brasília é que tem crescido muito o sentimento de que se faça uma reforma com pontos básicos. Com alguns outros pontos muito pontuais, para que a gente vote isso e deixe para o próximo presidente eleito com o voto do povo brasileiro a tarefa de fazer esta reforma. O que temos que saber é se vai ter algum outro presidente com a coragem de dizer ao povo que isso de fato precisa ser feito. Porque a previdência social do País caminha para o verdadeiro caos”, afirmou o deputado, durante entrevista à Rádio Folha 96,7 FM.

Para Coutinho, o Congresso “está machucado”, após o desgaste vivenciado durante as votações das denúncias contra Temer. “De fato, é uma matéria completamente diferente. O momento é difícil. Quando Rodrigo Maia disse que o congresso está muito machucado, é porque estamos. Tivemos matérias muito difíceis para se posicionar. O fato é que existe uma lei de sobrevivência de cada pessoa”, colocou.

"Enterrada"
Também em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, o deputado Daniel Coelho (PSDB), que é crítico do governo, garantiu que a matéria não será votada até o final do mandato de Temer. "Me lembro que, por três vezes na própria Rádio Folha, cheguei a dizer que não havia a menor condição deste projeto ser votado. Inclusive, na última vez, Augusto Coutinho havia falado que o projeto iria ser votado. Mas não há a menor possibilidade de ele ser colocado em pauta. Até porque existe uma dúvida sobre o voto de mais de 200 deputados e, por isso, o governo não irá arriscar colocar em votação. Não está na agenda de ninguém. A não ser de alguns ligados ao governo que ficam repetindo isso na imprensa. Este assunto está morto e enterrado", destacou.