[Podcast] Marília Arraes comenta resolução do PT do Recife por aliança com o PSB: '2018 passou'

Deputada federal Marília Arraes (PT) defende sua candidatura do PT no Recife - Arthur de Souza

Após a executiva do PT do Recife apresentar uma resolução com direcionamento pela manutenção da aliança com o PSB e a Frente Popular no próximo pleito na capital pernambucana, a deputada federal Marília Arraes (PT) comentou sobre o assunto, em entrevista à Ràdio Folha (96,7), nesta quinta-feira (16).

Marília Arraes, que teve sua candidatura ao Governo do Estado descartada pelo partido em 2018, por conta de uma aliança nacional com o PSB, volta a pleitear candidatura majoritária, desta vez no Recife. Ela criticou a "celeuma" em torno da sua postulação que mais uma vez divide as tendências do partido, mas acredita que o conjuntura política agora é diferente."2018 passou. O que aconteceu ficou em 2018, agora a gente está vendo em 2020. O que houve foi a divulgação da posição do presidente municipal do partido, que a gente respeita. Ele tem o direito de expressar o posicionamento que ele acredita", disse. A parlamentar, no entanto, afirma que ficou sabendo que o teor da resolução "não era exatamente esse".

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"Eu não sabia exatamente da resolução, soube no curso do processo de decisão de emití-la. Mas não me surpreendo, porque a maioria do diretório do Recife é ligada a grupos favoráveis à aliança", comentou Marília. "Eu estou com muita tranquilidade em relação a esse assunto. Porque nós temos poucas capitas em que o PT figura no segundo turno, aliás a capital que o PT está mais bem colocado nas pesquisas é no Recife", destacou. Segundo Marília, a exemplo da eleição ao Governo do Estado, quem vai dar a palavra final sobre sua candidatura é a direção nacional da legenda. "Em 2018 nós também fizemos essa discussão aqui (no Recife). 93% dos delegados votaram pela candidatura própria e nem por isso o PT teve candidato a governador. Isso depende de uma tática nacional", lembrou.

A deputada apontou para uma mudança de cenário que desta vez está mais favorável para a sua candidatura, em comparação com 2018. "Não é que a posição do PT tenha mudado. O contexto polítco mudou. Em 2018, o PT precisava garantir sua eleição nacional para retomar o Brasil aos brasileiros e retomar o projeto que a gente acreditava que era melhor par o o Brasil. Foi um contextro bastante diferente de 2020. 2020 não tem eleição casada com presidente. Imagine se o PT, com esse processo de perseguição que vem sofrendo nos últimos anos, iria deixar de disputar nas grandes cidades? Time que não disputa não ganha", avaliou.

Marília afirma que mantém diálogo com a executiva nacional, o que foi facilitado pelo seu mandato parlamentar e posição na bancada. "Tenho conversado quase que diariamente com integrantes da executiva nacional, até porque hoje faço parte da bancada do PT. Fui a segunda deputada do PT mais votada no país, sou vice-líder do partido. O que a gente tem escutado é que essa situação está tranquila e é praticamente certo que a gente tenha essa candidatura", cravou. A parlamentar cumprirá agenda de reunião com a direção nacional do PT em São Paulo, ao longo da semana, o que pode definir sua candidatura.

"Há um consenso de que não dá pra esticar como foi em 2018. A gente precisa tomar essa decisão de forma a coesionar o partido da melhor foma possível. Eu acredito que vai ser tomada o mais rápido possível", disse Marília. Para ela, a decisão final evitaria desgaste. "O povo não gosta de picuinha nem de confusão, não", brincou.

Lula

Marília reforçou que o ex-presidente Lula, principal liderança do PT, defende sua candidatura. "Ele foi bem claro que a estratégia dele é sim ter candidato nas principais cidades e aqui no Recife também", disse. E a possibilidade de Lula estar em dois palanques - o do PT e o do PSB no Recife - não incomoda a parlamentar. "Se Lula vai subir em um ou dois palanques é uma decisão eleitoral", afirmou.

Humberto

Em relação às divergências com o senador Humberto Costa, Marília disse que nunca passaram do campo político. "Divergência a gente resolve com diálogo, respeitando as diferenças mas tentando causar o mínimo de fragmentação possível, para evitar toda a ruptura que houve em 2018. Nós divergimos de opinião e de tática. Ele acreditava que o melhor para o PT era se aliar ao PSB aqui em Pernambuco e eu não. Incluisve me mantive na oposição durante a campanha. Não vi mudança de atitude no PSB na forma de gestão por isso me mantive nessa linha. Sempre respeitei o posicionamento de Humberto Costa, tentaram criar intriga, mas sempre procurei manter diálogo com ele e com todos que divergem", lembrou.

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