A influência dos candidatos a prefeito do Recife nas redes sociais

As redes sociais e aplicativos de trocas de mensagens como o WhatsApp já mostraram a força e o poder de influência que possuem na vida das pessoas. Isso não seria diferente na campanha eleitoral, sobretudo em meio a uma pandemia. Com o contato físico com eleitor reduzido, teoricamente, pelas regras sanitárias impostas pela crise, os candidatos recorrem, mais ainda, a essas ferramentas para manter a relação com o eleitorado e tentar converter as curtidas e interações em votos.

No Instagram, por exemplo, entre os candidatos do Recife, os deputados federais João Campos (159 mil) ,  Marília Arraes (80,8 mil) e o ex-ministro Mendonça Filho (35,5) apresentam os maiores números de seguidores. Já no Facebook, o cenário é diferente. Mendonça lidera (239 mil curtidas), seguido de Marília (126 mil curtidas) e João (70 mil curtidas).

No entanto, Paulo Rebêlo, diretor da Paradox Zero, agência de transformação digital e tecnologia, destaca que o maior desafio dos postulantes é o alcance do conteúdo destas plataformas. “Quanto maior o alcance das redes sociais na sociedade, menor é o alcance de mensagens nas pessoas. Porque a rede pulveriza e fragmenta cada vez mais. Muitas campanhas e empresas ainda trabalham no sentido contrário, achando que mais gente nas redes equivale a mais gente consumindo as mensagens delas. Não é. A estratégia e a tecnologia se tornam mais essenciais para fazer a mensagem chegar ao destino certo”, explica. Para Rebêlo, não apenas é possível atrair o eleitor pelas redes sociais, como é necessário e fundamental. “Não é pela pandemia, é pelo acesso e pelo consumo. Está tudo em redes”, disse.

Segundo Daniella Brito, jornalista, mestre em Sociologia e estrategista de redes sociais, pesquisas anteriores à pandemia já apontavam que o Brasil era o segundo País do mundo em usuários que passam mais tempo por dia em redes sociais. “É nesta praça pública virtual  que candidatos vão disputar a atenção do eleitorado, grande parte dele desacreditado com a política, em um ambiente polarizado e marcado, muitas vezes, pelo discurso do ódio. É inegável que quem já está presente neste ambiente, tem mais vantagens nesta campanha, pois já era “conhecido”. Mas em uma campanha atípica e inédita, estar presente não é o bastante”, pondera.

Daniella lembra que não há uma relação direta entre likes e votos. “Nem certezas, muito menos garantias. O grande incentivador desta relação entre presença nas redes e votos é o engajamento. É, também, mobilizar sua rede, dialogar, responder críticas e combater as fake news, que podem explodir e devem ser respondidas com a verdade, de forma ágil e rápida”.

 Por outro lado, Arthur Leandro, cientista político e professor da UFPE, ressalta que os candidatos não pararam de fazer atividades de rua e continuam andando e cumprimentando as pessoas. “A parte física da campanha segue. Ela talvez tenha sido retardada um pouco pelo fato de que o isolamento social foi mais rígido no início, mas ainda assim  não chegou a impedir esse trabalho de presença física”, diz.

O cientista político, contudo, afirma que  o uso das redes sociais é crescente. “Você já teve o uso de rede social como instrumento de campanha em 2012, em 2016 e ainda mais em 2020. Então, a intensificação do uso dessa ferramenta não é privativa do processo político-eleitoral, ele é compatível com intensidade do uso da sociedade como um todo. Talvez a pergunta e o questionamento acerca do uso dessa ferramenta tem se intensificado basicamente por que ela foi essa ferramenta foi intensamente utilizada na eleição do presidente (Bolsonaro) em 2018”, argumenta.

De acordo com Arthur, essa tendência não deve recuar, mas também não substitui os meios tradicionais de  campanha. “Os esforços de transformar inserção em redes sociais em resultados palpáveis do ponto de vista eleitoral não são muito diferentes (do meio tradicional)”, complementa.


Influência nas redes