Após críticas, Jair Bolsonaro muda discurso e faz apologia à vacinação

Carolina Antunes/PR

BRASÍLIA (Folhapress) - Após ter dado diversas declarações questionando a eficácia, a segurança e a obrigatoriedade de imunizantes contra a Covid-19 e ter dito que o Ministério da Saúde não compraria a Coronavac, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ontem, durante videoconferência,  que sempre disse que uma vacina seria adquirida pelo governo federal após aprovação pela Anvisa  e se vangloriou da quantidade de pessoas já vacinadas no país.

"Sempre disse que qualquer vacina, uma vez aprovada pela Anvisa, seria comprada pelo governo federal. No ano passado assinamos em dezembro uma Medida Provisória destinando um crédito de R$ 20 bilhões para as vacinações e elas agora são uma realidade para nós", declarou Bolsonaro.

Ele disse também que o Brasil é o sexto que "mais vacinou no mundo". "Já somos o sexto país que mais vacinou no mundo. Brevemente estaremos nos primeiros lugares, para dar mais conforto à população e segurança a todos, de modo que a nossa economia não deixe de funcionar".

Segundo o consórcio de imprensa que reúne informações sobre o número de vacinados Brasil, 685.201 pessoas já tomaram a primeira dose contra a Covid-19.

Bolsonaro tem um histórico de manifestações contrárias à Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo paulista. Usado como trunfo político do governador de São Paulo, João Doria, o imunizante é o que está disponível em maior quantidade hoje no Brasil.Em outubro de 2020, Bolsonaro disse que o governo não iria adquirir a vacina do Butantan. "Tenha certeza, não compraremos vacina chinesa. Bom dia", escreveu em suas redes sociais.

Bolsonaro também afirmou no passado que não pretende se imunizar porque já se contaminou e tem anticorpos. Ele também defendeu que os brasileiros deveriam assinar um termo de consentimento antes da vacinação, isentando a União de responsabilidades por efeitos colaterais.

Na videconferência do Credit Suisse, porém, Bolsonaro voltou a defender o chamado tratamento precoce contra a Covid. Ele não citou em sua fala a hidroxicloroquina e a azitromicina, medicamentos frequentemente mencionados por ele –as melhores evidências científicas apontam que, até o momento, não há tratamento precoce contra a doença.

Ele sugeriu ainda que o fato de o Brasil ter caído na lista de países com mais mortos por coronavírus por milhão de habitantes tem relação com o chamado tratamento precoce. "Alguma coisa aconteceu. Isso no meu entender é a preocupação, o profissionalismo do médico brasileiro, que busca uma solução para esse problema. Por último, Bolsonaro voltou a colocar em dúvida dados sobre mortes de coronavírus no país e disse que laudos são "forçados".

"Até que pesem, muitos laudos (de morte por Covid) são forçados, dados como se Covid fossem. Na verdade, nós sabemos que não é. Mas vamos supor que todos os laudos fossem verdadeiros. O Brasil realmente cada vez mais morre menos gente por milhão de habitantes."


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