Após João Campos cravar rompimento com o PT, presidente do partido reage e fala em discurso raso

Após o candidato à Prefeitura do Recife, João Campos (PSB), dizer que o PT não fará indicação ao seu eventual governo, o presidente da sigla petista em Pernambuco, Doriel Barros, divulgou nota pública para criticar o posicionamento do ex-aliado socialista. O dirigente afirmou que a participação do PT na gestão recifense e do Governo do Estado foi viabilizada pelo fato da legenda petista ser "um parceiro fundamental para a Frente Popular em Pernambuco e não por bondade" do PSB. Barros ainda ressalta que a contribuição "sempre foi recíproca" porque o PSB "sempre integrou as gestões petistas". "Virar as costas para esses fatos mostra o quanto seu discurso é raso", afirmou.

O presidente do PT de Pernambuco ainda pede respeito do adversário ao partido e diz que a aliança entre PT e PSB foi decisiva para a reeleição do governador Paulo Câmara no primeiro turno das eleições de 2018. Uma aliança que, segundo ele, foi firmada para evitar que a direita chegasse ao poder.

Em entrevista à Rádio CBN, nesta quinta-feira (26), o prefeiturável do PSB afirmou categoricamente que não terá quadros do PT na sua gestão. "É um compromisso que eu disse ao povo do Recife e vou cumprir integralmente", afirmou.

Nota do presidente do PT-PE

O desespero está levando o candidato a prefeito do Recife João Campos a expor, dia após dia, sua imaturidade política e todo seu despreparo para assumir a gestão da capital pernambucana. Na última quinta-feira (26) o pessebista afirmou que se for eleito não haverá, em seu governo, integrantes do Partido dos Trabalhadores. Porém, o que ele precisa entender é que o PT participou da atual gestão municipal e participa do governo do Estado por ser um parceiro fundamental para a Frente Popular em Pernambuco e não por bondade de seu partido. Uma contribuição que sempre foi recíproca, pois o PSB sempre integrou as gestões petistas. Virar as costas para esses fatos mostra o quanto seu discurso é raso.

João Campos precisa respeitar o Partido do Trabalhadores reconhecendo sua contribuição para o Recife e para o País e as transformações que realizamos na vida do povo com os governos de João Paulo, João da Costa e, em nível nacional, com Lula e Dilma. Essa história não pode ser manchada somente porque ele não sabe lidar com o desejo dos recifenses de eleger Marília Arraes, uma adversária qualificada e que tem tudo para fazer de nossa capital um local mais digno para se viver e trabalhar.

Foi para evitar que a Direita ocupasse a gestão estadual que estivemos juntos em 2018, quando o Partido dos Trabalhadores foi decisivo para a reeleição de Paulo Câmara ainda no primeiro turno. Também estivemos no mesmo palanque em nível nacional, mas, infelizmente, não conseguimos vencer nas urnas, e hoje a população sente na pele o que é ter um governo fascista no controle de uma Nação.

Atualmente estamos fazendo parte do governo do Estado a partir de um convite do governador Paulo Câmara e da decisão das instâncias partidárias. Contudo, isso pode ser revisto a qualquer momento. Sabemos fazer política em prol do que realmente importa: o povo. Não são trocas de favores. São lutas.

Mas entendemos que João Campos ainda precisa de muita experiência para aprender a respeitar as construções feitas para o bem comum. Ele parece não haver aprendido nada com a história de seu bisavô, Miguel Arraes.

Outro aspecto que ele não consegue perceber é que ser do Partido dos Trabalhadores transcende a questão da filiação. Ser petista é carregar no peito a garra e a coragem de transformar a sociedade em um lugar melhor para todos e todas.

É hora de mudar e é o povo quem está dizendo isso. No próximo domingo não serão palavras infantis e desrespeitosas que definirão a eleição, mas a vontade do povo. É 13! É Marília!

Recife, 27 de novembro de 2020

DORIEL BARROS
Deputado estadual e presidente do Diretório Estadual do PT em Pernambuco

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