Corrida eleitoral começa a esquentar no Recife

A pandemia do novo coronavírus modificou o calendário das eleições municipais deste ano e retardou a oficialização das negociações partidárias e os gestos públicos dos atores políticos envolvidos neste pleito. No entanto, na última semana, os pré-candidatos à Prefeitura do Recife intensificaram a corrida eleitoral. 
Cotado para a sucessão do prefeito Geraldo Julio (PSB), o deputado federal João Campos (PSB) falou pela primeira vez publicamente sobre a possibilidade de concorrer à PCR. Ele também admitiu que tem conversado com líderes de vários partidos buscando apoio para sua candidatura. PDT e PT estão na lista dos que foram procurados pelo pré-candidato.

No entanto, após várias divergências internas em Pernambuco, o diretório nacional do PT confirmou em definitivo o nome da deputada federal Marília Arraes como pré-candidata à PCR, na última sexta-feira. O diretório estadual do partido ratificou, no último domingo, o posicionamento da municipal em não apoiar a candidatura da deputada federal Marília Arraes (PT) e também encaminhou pedido para nacional rever o posicionamento em relação à candidatura da petista - o que foi negado. Porém, os petistas que defendem a aliança com o PSB conseguiram uma posição favorável: uma pactuação de que não haverá constrangimento ou pressão para que os filiados que ocupam cargos na gestão socialista deixem os espaços na Prefeitura do Recife. 

Vale lembrar que após a decisão estadual contra o seu projeto próprio, Marília convidou publicamente o senador Humberto Costa (PT) para coordenar sua campanha. No âmbito nacional, os dirigentes os dirigentes petistas avaliam que é estratégico lançar candidaturas no máximo de cidades e capitais possíveis, estratégia para a eleição presidencial de 2022.    

Já o deputado federal Túlio Gadêlha anunciou, em coletiva de imprensa, a sua postulação pelo PDT. O parlamentar tem o aval da direção nacional da sigla, mas esse movimento aumentou a tensão interna, já que a legenda está dividida entre a candidatura majoritária e a manutenção da aliança com o PSB. Este segundo grupo, aliás, em resposta à Túlio, colocou o nome da ex-vereadora Isabella de Roldão (PDT) para a disputa. Com isso, caso não entrem em um acordo até as convenções partidárias, Túlio e Isabella devem bater chapa. Nacionalmente, o PSB e o PDT mantém alianças e tentam construir com o Cidadania, Rede Sustentabilidade e PV uma frente ampla de esquerda.

No campo do centro e centro-direita, o Podemos decidiu pela pré-candidatura da Delegada Patrícia Domingos, que vai ser oficializada na próxima semana. O anúncio pressiona as demais lideranças da oposição a definirem uma estratégia: múltiplas candidaturas ou unificação. Além da delegada, o grupo conta as pré-candidaturas do ex-ministro Mendonça Filho (DEM), o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania), e os deputados estaduais Alberto Feitosa (PSC) e Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB). Há ainda uma expectativa do apoio do PSL do deputado federal Luciano Bivar.

Outro partido que ainda não declarou apoio é o PSD. De acordo com o deputado federal André de Paula, presidente regional da sigla, não está descartado o apoio a nenhum dos campos políticos na disputa eleitoral no Recife. Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, na última sexta, ele explicou que nesse momento é fundamental que o projeto político vencedor das eleições tenha representatividade, consiga somar forças políticas, tenha uma boa relação federal e um palanque político com amplitude estadual.

Para o cientista político Ernani Carvalho, a disputa no Recife vai ser “acirrada”, sobretudo no campo da esquerda. Ele pondera que é preciso saber se a “vertente de centro-direita que vem tomando conta do País desde a eleição do presidente (Jair) Bolsonaro vai se acomodar” também em Pernambuco, mas indica que há um “desgaste natural da aliança da frente de esquerda no Estado”. Para ele, é provável que o pleito seja polarizado, mas o fator “novidade” pode ser determinante.

Já o cientista político Elton Gomes destaca que o mercado eleitoral tende a construir o extremo e que, normalmente, o eleitor procura candidatos do centro-direita ou de centro-esquerda, lembrando que os "radicais" são minorias e que o Brasil passa por um momento de hiperpolarização. “Possivelmente, por causa dessa polarização, lideranças vão dizer que 'eu estou com ex-presidente Lula', 'eu sou dos movimentos sociais', a questão do legado Arraes. O eleitor busca sobretudo o produto político no País é populismo”, ressaltou.

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