Depoimento de Fábio Wajngarten causa tensão e desgaste

Leopoldo Silva/Agência Senado

O depoimento do ex-secretário de comunicação do Planalto Fábio Wajngarten na CPI da Covid no Senado Federal teve de bate-boca até ameaça de prisão. O quinto depoimento dado à comissão parlamentar foi considerado por especialistas como um dos dias mais "tensos" desde a abertura das investigações. Também foi ontem que Wajngarten entregou à CPI uma carta que prova que a Pfizer ofereceu vacinas ao Brasil em 2020. 

Para a doutora em ciências políticas Priscila Lapa, a mudança de postura do relator Renan Calheiros (MDB-AL) em relação à prisão pode ser entendida como uma reconsideração do cenário. "Esse recuo de Renan Calheiros, foi justamente ele voltando à razão no sentido de não poder cometer nenhum tipo de erro que possa dar cabimento ou possa dar margem para questionamentos da atuação da CPI. É um fio da navalha que se tem nesse momento, da CPI não descambar, não cair nesse jogo. É como se fosse um jogo, e não cair nesse erro estratégico de a CPI extrapolar por algum motivo que seja os seus objetivos, cometer algum tipo de erro regimental que possa tirar a credibilidade do trabalho da CPI", avalia a especialista.

O cientista político pela Universidade Federal Fluminense Antônio Lucena, afirma que o ex-auxiliar do Planalto se contradisse ao tentar livrar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de qualquer responsabilização. Ainda de acordo com Lucena, apesar do embate entre o presidente Omar Aziz (PSD-AM) e o relator Renan Calheiros sobre pedir ou não a prisão do depoente, o debate não enfraquece a CPI.

"Fica um clima tenso, porque o que aconteceu hoje pode se repetir com o Pazzuelo quando for depor porque ele pode usar o mesmo tipo de artimanha e sair impune de uma certa forma. Esse é o clima que se vislumbra."

O tema também repercutiu entre os políticos. Na avaliação do deputado federal Carlos Veras (PT-PE), o ex-secretário de comunicação "mentiu". Mas, "o que eu achei mais grave foi a informação de que o governo brasileiro recebeu uma carta em 12 de setembro do ano passado da Pfizer e demorou dois meses para responder, enquanto o mundo todo estava à procura de vacina. Naquela época, por exemplo, os Estados Unidos já tinham firmado contrato com a empresa para aquisição de 100 milhões de doses", lembrou.

Nas redes sociais, o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT-PE), também fez uma série de postagens sobre a sessão. "Mais alguém percebeu que todas as publicações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República da gestão de Wajngarten foram apagadas? A primeira consta do dia 22/03/21. O perfil da Secretaria de Comunicação existe no Twitter desde agosto de 2019. Curioso", cobrou o parlamentar.

Veja também

Sport pouco produz e perde para o Juventude fora de casa
Série A

Sport pouco produz e perde para o Juventude fora de casa

Pernambuco recebe mais 310 mil doses de vacinas da Astrazeneca/Fiocruz
Vacina

Pernambuco recebe mais 310 mil doses de vacinas da Astrazeneca/Fiocruz