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Eleições 2026: Raquel e João travam duelo particular por votos regionais

Pesquisa Folha/IPESPE revela que governadora lidera no Interior e João está à frente no Recife

Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB)Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) - Fotos: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco e Edson Holanda/Divulgação

A disputa pelo governo de Pernambuco em 2026 passa pelo equilíbrio de força política entre a Região Metropolitana do Recife (RMR) e o interior do estado. Pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) mostra um cenário dividido: enquanto a governadora e pré-candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) aparece à frente no interior, com 56% das intenções de voto; o pré-candidato pela oposição João Campos (PSB) lidera na Região Metropolitana, com 53%.

O recorte regional ganha relevância diante dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apontam que 41,7% do eleitorado pernambucano está concentrado na Região Metropolitana, enquanto Agreste e Sertão representam 25% e 18%, respectivamente.

No cenário geral estimulado, a pesquisa aponta uma disputa equilibrada entre os dois principais nomes da corrida estadual. Raquel Lyra aparece com 46% das intenções de voto, enquanto João Campos soma 44%. Neste cenário, a disputa regional ganha mais peso.

Além das bases

Para especialistas ouvidos pela reportagem, os números mostram que a corrida por votos deve ser definida pela capacidade dos candidatos de ampliar suas bases eleitorais para além das regiões onde possuem maior força política.

Segundo a cientista política Priscila Lapa, a divisão entre capital e interior é uma característica histórica das eleições para governador em Pernambuco, mas o crescimento do peso eleitoral da Região Metropolitana modificou a dinâmica das disputas.

“Historicamente, pelo peso da região metropolitana e por concentrar o maior número de eleitores, a tendência é que ela decida o pleito. Em 2022, essa lógica foi um pouco controvertida com a eleição de Raquel Lyra, que tinha uma ascendência muito maior na região de Caruaru, no Agreste, e teve votações expressivas também nos Sertões”, avaliou.

Ao analisar o desempenho regional dos candidatos, Priscila aponta que a disputa envolve desafios diferentes para cada grupo político.

“Ele (João Campos) precisa se conectar melhor com o eleitor do interior, mostrando capacidade de entender essas demandas, porque as dinâmicas são muito diferentes do circuito metropolitano. Já Raquel conseguiu avançar na região metropolitana porque os investimentos do governo chegaram a essa área”, explicou.

Dinâmica

O cientista político Elton Gomes avalia que os dados do TSE e do IPESPE apontam para uma mudança na dinâmica eleitoral de Pernambuco. Para ele, a disputa estadual não pode mais ser analisada apenas pela divisão tradicional entre capital e interior.

“Existe uma tensão entre aquilo que a gente chama de geografia do voto e o efetivo exercício do poder político em Pernambuco, que são coisas diferentes. A Região Metropolitana concentra quase 42% do eleitorado, mas o restante do Estado continua sendo majoritário. A eleição deixa de ser decidida exclusivamente pelo eixo interior versus capital e passa a depender de coalizões territoriais”, ressaltou.

Na avaliação do cientista político, Raquel Lyra buscou ampliar sua presença na Região Metropolitana sem abandonar sua principal base política, o interior.

Segundo ele, a governadora utilizou a estrutura do governo estadual para fortalecer alianças em Jaboatão dos Guararapes e Olinda, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais de Pernambuco, que concentram 6,89% e 4,18% do eleitorado estadual, respectivamente, e que são administradas por aliados de Raquel. Além delas, a gestora tem aliados no comando do sexto maior eleitorado da região (Paulista) e o oitavo (Camaragibe).

Desafios

Enquanto isso, João Campos enfrenta o desafio de transformar a força política construída no Recife em uma presença mais ampla no interior. Para Gomes, a diferença entre as estruturas dos cargos ocupados pelos dois pré-candidatos pesa na formação dessas bases.

“O ex-prefeito do Recife, por mais que seja carismático e performático nas redes sociais, enfrenta dificuldades no interior porque os recursos que os prefeitos precisam, como barragens, ambulâncias, segurança e estradas, são possuídos pelo governo do Estado”, disse.

Já Priscila aponta que a disputa permanece marcada pelo equilíbrio entre os dois principais grupos políticos. “A equação acaba dando um certo empate. O que ela tem de vantagem, ele também precisa apresentar como desafio para vencer nas regiões onde ela já tem boa aceitação. Ele precisa se consolidar na região metropolitana e avançar no interior, enquanto ela precisa manter a dianteira no interior e continuar avançando na região metropolitana”, afirmou.

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