Emoção e homenagem na missa de Do Carmo Monteiro

Dona do Carmo - Foto: Acervo da família

Marcada pela emoção e homenagens, familiares e amigos participaram, na manhã desta quarta-feira (15), da missa de sétimo dia de Maria do Carmo Magalhães de Queiroz Monteiro. Com a participação presencial, na Igreja da Madre de Deus, no Bairro do Recife, restrita por conta das regras de distanciamento social, muitos puderam assistir à cerimônia e manifestar os seus sentimentos por meio de uma transmissão virtual ao vivo. 

Bastante emocionada, sua filha, Maria Lecticia Cavalcanti, fez um agradecimento especial aos familiares, médicos e amigos que fizeram parte da vida de Dona do Carmo. Exaltou o "grande privilégio" que foi conviver com a sua mãe e a dor de "aprender a viver sem ela". "Ficou um enorme vazio, uma tristeza sem fim. A saudade da sua presença linda, elegante, impecável, no físico e nos gestos. Saudade do seu jeito doce e firme, carinhoso e forte, simples e altivo", disse Lecticia, que frisou ainda as lições que a mãe ensinou ao longo da vida. "Saudade dos seus conselhos, sua experiência, e sua sabedoria. Sempre equilibrada e tranquila na adversidade. Cedo percebeu que os problemas estão postos para serem resolvidos, e os resolvem melhor quem não se abate, quem os enfrenta sem dramas, sem dores e sem queixas", destacou.  Lectícia ainda destacou a relação entre Do Carmo e o marido, o empresário, ex-deputado e ex-ministro Armando Monteiro Filho (falecido em 2018) e enfatizou que ambos sempre serão referência na vida de todos da família. "Serão sempre duas estrelas brilhantes indicando caminhos no mar sem fim de nossas vidas", disse Lecticia. 

A neta Cecília Monteiro, por sua vez, lembrou da capacidade que Do Carmo tinha de participar da vida dos netos, mesmo em situações adversas, como no dia em que, mesmo de cadeira de rodas por conta de uma queda, fez questão de ir ao hospital para o nascimento de Luiz Felipe, filho mais velho de Cecília. "Você soube ser brilhante. Vovô Dinho está novamente feliz ao seu lado. E eu, sua neta, digo um até breve repleto de orgulho, amor e gratidão. Mas sabendo que permaneceremos sempre juntas", afirmou. 

José Paulo, neto de Do Carmo, sublinhou a relação especial que Do Carmo nutria com todos os netos. "Agradecemos muito o exemplo de carinho, de elegância em seus gestos, de generosidade, amor e, sobretudo, força, muita força. Desejei que nunca chegasse o dia que tivéssemos que nos despedir assim com tanta saudade. E falo saudade por ela medir a real importância que ela sempre teve e sempre terá em nossas vidas", disse o neto, que ainda destacou um trecho de um poema de Santo Agostinho que, entre outras coisas, afirma que "a vida continua linda e bela como sempre foi". 

A missa foi conduzida por Frei Rinaldo Santos, que exaltou a necessidade de plenitude do amor com Deus e a gratidão que todos devem ter por contar com Dona do Carmo em suas vidas. "Muito embora em nosso coração resida saudade, resida a tristeza da partida, nos lembramos que, se o paraíso é a nossa meta, é o que de melhor poderíamos desejar para a sua vida e sua existência. Lembramos de Dona do Carmo com o coração agradecido a Deus, pela missão cumprida e pela família que constituiu ao lado do seu amado Armando", frisou o frei. 

A causa da morte de Do Carmo foi natural, ocorrida no Hospital Português. Ela era a filha caçula do ex-governador do estado de Pernambuco Agamenon Magalhães. Casou-se, em 17 de setembro de 1949, com Armando Monteiro Filho, que atuou como ministro da Agricultura da fase parlamentarista do Governo João Goulart, com quem teve cinco filhos: Maria Lecticia Cavalcanti, Armando Neto, Sérgio Monteiro (falecido precocemente), Horácio Monteiro e Eduardo Monteiro, presidente do Grupo EQM, do qual faz parte a Folha de Pernambuco.