Jair Bolsonaro em busca de apoio em Pernambuco

Com as últimas pesquisas apontando índice alto de desaprovação do governo federal no Nordeste e a volta do ex-presidente Lula (PT) no cenário eleitoral em 2022, o Palácio do Planalto tenta traçar uma estratégia para conseguir popularizar a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Região. Com esse objetivo, o filho do chefe do Planalto, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), desembarcou na última sexta-feira, em Pernambuco, reduto historicamente petista.  

Na ocasião, o parlamentar fez um tour no Sertão pernambucano, especificamente em Petrolina, para conversar com autoridades e aliados de primeira hora como o grupo dos Coelho que comanda a cidade. Diante dos desgaste da imagem do presidente, o intuito é estreitar os lanços com aliados no Estado para formar um palanque forte para a reeleição do presidente. 

E também não é por acaso a visita. o prefeito de petrolina Miguel Coelho é o principal nome cotado pelo grupo da oposição para disputar o Palácio do Campo das Princesas, o que poderia atrair um palanque forte das oposições ao nome de Bolsonaro. Enquanto o PT e PSB se articulam para fechar uma aliança com o objetivo de derrotar Bolsonaro com a candidatura de Lula e gerar mais força com o nome que sucederá o governador Paulo Câmara, o prefeito Miguel não demonstra incômodo em ter sua imagem ligada à família Bolsonaro. 

Para o cientista político e doutorando em história Alex Ribeiro, Miguel tem a facilidade de diálogo com o presidente através do senador FBC, no entanto alerta para os riscos. “Ambos são oposição ao governo de Pernambuco e os movimentos de aproximação são uma tentativa de atrair o eleitorado insatisfeito com o modelo de governo do PSB e da centro-esquerda. Para Bolsonaro, a estratégia é ótima. Para o prefeito de Petrolina é arriscada, tendo em vista a rejeição que o bolsonarismo possui no Nordeste”, advertiu.

Alex ainda enfatiza a divisão de palanques que poderá se formar através dos atores políticos nacionais. “Como já existe uma polarização no âmbito nacional isso será refletido no âmbito local também. Sem um candidato de centro competitivo a polarização deve perdurar no próximo pleito”, avalia. 

Já o estrategista eleitoral e mestre em ciência política Vitor Diniz apontou que o presidente não pode apostar na mesma estratégia que em 2018. “Na verdade, não é só se aproximar de lideranças do interior. Lideranças, inclusive, das capitais onde o bolsonarismo terá candidatos fortes a deputados federais e estaduais. Ou seja, é uma estratégia mais ampla para melhorar os índices de Bolsonaro no Nordeste. Se ele repetir o mesmo desempenho de 2018, dificilmente ele conseguirá a reeleição e por isso ele vai dedicar tempo e espaços na agenda para se dedicar a melhorar esses índices aqui”, explicou Diniz.

No segundo turno nas eleições de 2018, em Pernambuco, Bolsonaro só venceu em um município, em Santa Cruz do Capibaribe.

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