João Doria faz mais uma jogada política com vacina contra a Covid-19

Reprodução/Governo de São Paulo

Evidenciando o seu papel no início da imunização contra a Covid-19 no Brasil e, ao mesmo tempo, demonstrando a sua força política, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), reuniu, ontem, em ato na sede do governo paulista os ex-presidentes da República Michel Temer (MDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (MDB) - o tucano presencialmente e os dois emedebistas por vídeo. Segundo Dória, os ex-presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff, além de Fernando Collor (PROS) -  rejeitaram o convite para participar do evento. 

Apesar de Dória enfatizar que se tratava de um evento voltado para a importância da imunização - todos, em suas falas, ressaltaram a importância da vacina - a simbologia política está presente ao longo de todo o processo de viabilização da vacina, que alçou Dória como o grande antagonista do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), uma vez que o governador do maior estado brasileiro construiu uma articulação que lhe deu os holofotes do início da imunização, enquanto Bolsonaro insistia na narrativa negacionista, refutando a  vacina. 

Na prática, a atuação de Dória obrigou o Governo Federal a se mover em busca da retomada do protagonismo da vacinação. O cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Antônio Lucena, identifica no ato de ontem uma forma de Dória cacifar ainda mais a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e como forma de consolidação do seu ganho político.

"Esse ato de procurar os ex-presidentes para vacinar faz parte da estratégia de Dória de difundir a vacina do Butantan e consolidar o ganho político que ele teve. Ele conseguiu vacinar primeiro, conseguiu fazer a primeira foto e tenta mostrar que a vacina está acima de questões partidárias”, avalia o professor. Ele sublinha que o tucano busca deixar cada vez mais evidente a sua oposição a Bolsonaro já traçando o caminho das urnas de 2022. “Ele se mostra como um político em defesa da ciência, ao contrário de Bolsonaro que se mostra negacionista da ciência. Dória está vendo tudo isso como uma forma de concertação para 2022", pontua. 

No entendimento da cientista política  e professora da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), Priscila Lapa, Dória busca se mostrar como alguém que está, ao mesmo tempo, distante da esquerda e do extremismo de direita. “Ele não esconde que é marqueteiro, que fala para a plateia, mas ele tem um projeto político, não é um aventureiro. Esse evento com os ex-presidentes mostra a sua capacidade de articulação política. Já se sabe que uma parte das pessoas rejeita o extremismo de direita, por outro lado não querer o retorno da esquerda ao poder. Dória busca ocupar esse espaço”, aponta Lapa. E é justamente esse tipo de movimento que amplia o antagonismo entre Dória e Bolsonaro, na avaliação da professora.

“A dificuldade de fazer concertação política é uma fragilidade muito forte de Bolsonaro. Ele venceu a eleição sem isso, mas aquilo era o contexto de 2018, a reeleição dele não se dará no mesmo contexto, passará por uma organização político partidária que hoje ele não tem. Já Dória tenta mostrar o contrário ao eleitor, também para o mercado e outras forças políticas que definem uma eleição presidencial”, enfatiza. 

Constatação

Até aqui grande trunfo de Dória visando 2022, a viabilização da vacina,  já mostra impacto na percepção da população. Pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de janeiro mostrou que para 46% dos brasileiros o governador paulista fez mais pela pandemia do que Bolsonaro, visto dessa forma por 28% dos entrevistados. Foram 2.030 pessoas ouvidas pelo telefone e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. 

Para Antônio Lucena, os números mostram que a população vê comprometimento do tucano no combate à pandemia. “Com a vacina, Dória mostra comprometimento no combate à pandemia. Boa parte da população vê isso, ao contrário do que vê em Bolsonaro, que teve uma grande queda de popularidade por conta disso e outras coisas, como o fim do auxílio emergencial e a crise de Manaus. Então houve uma federalização do problema”, afirma. 

 

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