Livro analisa a relação entre linguagem, poder e participação feminina na política
"A Linguagem das Mulheres Políticas", da jornalista Juliana Romão, será lançado quinta(6), no Recife
A jornalista e pesquisadora Juliana Romão lança o livro "A Linguagem das Mulheres Políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública", pela Editora Appris, nesta quinta-feira (6), na Livraria do Jardim, no Recife, às 19h. No dia 18, haverá o lançamento em Brasília, na Platô Livraria.
Dirigido a pesquisadoras, lideranças políticas, movimentos sociais e profissionais da comunicação, a obra parte da constatação de que o modelo de discurso público dominante na política foi construído por homens e para homens.
De acordo com a autora, o livro nasce de anos de oficinas sobre fala pública feminina com candidatas, eleitas, ativistas e lideranças políticas.
"A metodologia das oficinas busca um espaço em que conversamos sobre histórias de vida, medos, cansaços e potências. A proposta é promover uma reflexão mais profunda sobre a relação entre linguagem, poder e participação política feminina e plural. É enorme a extensão das barreiras que rotineiramente afastam mulheres das disputas", relata com Juliana, que é assessora especial no Ministério da Igualdade Racial.
Segundo Juliana, as oficinas também evidenciaram que, apesar das barreiras, existe uma forte disposição das mulheres para ocupar os espaços de decisão. "A grande insegurança ante a exposição da fala pública, que muitas vezes pode ser paralisante, não é maior do que a vontade de avançar individual e coletivamente nas agendas, acessos e no legado que estamos construindo", afirma.
Para ela, transformar essa insegurança em coragem é parte essencial do processo de fortalecimento da participação feminina na política.
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A autora destaca ainda que raça, classe, território e gênero influenciam diretamente quem é ouvido nos espaços de poder. No livro, ela argumenta que essas desigualdades também se manifestam na linguagem e afetam a credibilidade atribuída à fala pública de mulheres negras, indígenas, periféricas, trans e com deficiência.
"O discurso comporta essas camadas, mesmo que não seja essa a intenção", observa Juliana.
Juliana também analisa os mecanismos que travam a representação feminina na política brasileira. Para ela, a legislação de cotas, por exemplo, sofreu sabotagens — inclusive linguísticas. "A lei obrigava a 'reservar' vagas e não 'preencher', palavra que só foi introduzida depois", aponta.
Apesar do cenário desafiador, a autora vê transformações em curso. A reversão desse quadro, segundo ela, exige legislação orientada à equidade, fiscalização rigorosa e movimentos de mulheres ativos e vigilantes. "As mulheres estão ocupando mais espaços, impulsionando direitos, e mudanças na cultura, mas o cenário ainda é de muita desigualdade, então precisamos acelerar esse movimento", afirma.
Serviço
Lançamento do livro A Linguagem das Mulheres Políticas: desmecanizar o pensamento é emancipar a fala pública, de Juliana Romão (Editora Appris)
Data: 06/08
Horário: 19h
Formato: Bate-papo com a prefaciadora e referência em comunicação pública, a jornalista Ana Veloso.
Local: Livraria do Jardim (Av. Manoel Borba, 292, Boa Vista - Recife)
*Com informações da assessoria de imprensa



