Não foi só Decotelli. Outros políticos também tiveram títulos acadêmicos no currículo contestados

Tem se tornado cada vez mais comum políticos brasileiros divulgarem seus currículos Lattes turbinados com títulos falsos. Dessa vez, o alvo é o recém-nomeado ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. Desde a última sexta-feira, informações colocaram em dúvida a veracidade de títulos acadêmicos divulgados em seu extenso currículo. No entanto, ele não é o primeiro a cair em contradição.

Em 2009, a UNICAMP informou que a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) foi aluna dos programas de mestrado e doutorado da universidade, mas não havia concluído a elaboração e a defesa de teses nos cursos, o que são necessárias para obter os títulos de mestre e doutor. Na época, Dilma admitiu o equívoco e disse que não preparou a tese em virtude do trabalho em cargos públicos. 

No ano passado, foi a vez do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), também estender as linhas do seu currículo. Em seus diversos cursos de graduação e de pós em várias universidades, ele dizia que havia passado pela Universidade de Harvard e que teria feito o curso "sanduíche", que ocorre quando o aluno faz parte do doutorado numa instituição de ensino internacional parceira da universidade que estuda. 

Neste caso de Witzel, ele teria feito um pedaço da pós-graduação em "judicialização da política" que, na época, cumpria na Universidade Federal Fluminense, desde 2015, e que teria feito no campus de Cambridge. No entanto, isso nunca aconteceu e o governador sequer manifestou interesse em participar da seleção. Assim como Decotelli, outros ministros do governo Jair Bolsonaro (sem partido) também turbinaram seus respectivos currículos. A ministra da Família, Damares Alves; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; e os ex-ministros da Educação Ricardo Vélez Rodriguez e Abraham Weintraub, estão na lista.

Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo mostrou que a ministra da Família e Direitos Humanos, Damares Alves, não era "mestre em educação" e "em direito constitucional e direito da família", como a ministra afirmava em seus discursos. No entanto, ela afirmou que seu título tem a ver com o ensino bíblico e que "diferentemente do mestre secular que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico".

Já o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, afirmou em seu currículo que é mestre em direito público pela Universidade Yale. No entanto, a universidade negou a existência de registro de frequência do ministro. Em relação ao ex-ministro da Educação Abraham Weitraub, foram encontrados dois artigos idênticos publicados em períodos diferentes que exigem ineditismo do material, ou seja, também foi acusado de plágio. Por fim, teve o caso do também ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez que errou 22 vezes em seu currículo Lattes. As inconsistências ocorreram inúmeras vezes, como “esquecer” de acrescentar coautores de seus textos.

Ministro da Educação
Na última sexta-feira, 26, o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, Franco Bartolacci, desmentiu em seu Twitter, o título de doutor do ministro Decotelli na instituição. O currículo do ministro da Educação também dizia que ele tinha pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha. Porém, a instituição acadêmica informou que ele não esteve na universidade por todo o período que consta em seu currículo e que ele não cumpriu os requisitos necessários para a titulação de pós-doutor. Decotelli ainda é acusado de plágio em pelo menos quatro trechos da sua dissertação de mestrado e em textos acadêmicos assinados pelo gestor do MEC.

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